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sábado, 25 de junho de 2016

Voto a voto

Os números da pesquisa da Gazeta/Limite revelam um caminho tortuoso para o atual prefeito Paulo Hadich em sua tentativa de reeleição.

Os 8% de intenções de votos não seriam de todo um problema – em 2012, ele iniciou a campanha neste patamar -, mas esse índice aliado a uma alta taxa de rejeição vira um “problemão”.

Basta lembrar que, nos últimos dez anos, Lusenrique Quintal sempre teve a maior rejeição, mas com índice na casa dos 30%, e não chegou ao Edifício Prada. Na prática, Hadich não entrará na campanha para conquistar votos desconhecidos, mas reverter a opinião de quem hoje o refuta.

É um trabalho quase dobrado a ser feito em três meses, tendo que conseguir o que não obteve (aprovação de governo) em quatro anos. Dificílimo, mesmo com a máquina pública nas mãos.

Mário Botion e Eliseu Daniel aparecem empatados tecnicamente na liderança. Até o momento, o apoio de Quintal a Botion não desequilibrou a disputa – há quem apostasse que Botion estivesse mais à frente.

O empresário teve a vantagem de ter estado mais presente na mídia e disputado eleição para deputado em 2014, exposições que o tucano não teve nos últimos quatro anos.

Botion começa a corrida eleitoral com um perfil de eleitorado parecido com o início de Hadich em 2012 (regiões de alta renda e escolaridade) e tem toda a campanha para tentar a máxima transferência possível de Quintal, que tem maior penetração na periferia.

Já Eliseu aparece com índice que até surpreende para quem ficou fora da mídia nos últimos anos depois de um resultado fraco nas urnas em 2012. Precisará eliminar seus focos de rejeição (maior que o de Botion) ganhando eleitores no mesmo espaço do rival.

Murilo Félix tem intenção de voto surpreendente ao ficar numericamente à frente do atual prefeito, mas o capital eleitoral ainda é de seu pai. Bem como sua taxa de rejeição, a segunda maior entre os pré-candidatos, que também deve ser creditada ao ex-prefeito Silvio Félix. Murilo terá de superar suas limitações, como a falta de experiência – é sua primeira disputa – e tudo o que sobrenome Félix, como a forma desastrosa como terminou o governo do pai, cassado pela Câmara e encrencado na Justiça.

Considerando a forte possibilidade de um segundo turno, será interessante observar como os grupos políticos irão atuar. De início, são todos contra Hadich. Mas o grupo do prefeito deu indícios de que não ficará quieto e rebaterá a todos com veemência.

O que a cidade espera, bem acima disso, são propostas para um futuro melhor. Numa eleição que tem tudo para ser decidida voto a voto, que futuros candidatos e eleitores se respeitem e proporcionem um exercício eleitoral civilizado.

* Texto originalmente publicado na Gazeta de Limeira edição de 21-6-16

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Resto de 2012, denúncia contra Quintal também é pepino para Mário Botion

A eleição de 2016 está com as portas abertas, mas faltava uma última janela a ser fechada do pleito de 2012.

Como revelado nesta terça-feira (13/6) pela Gazeta de Limeira, o Ministério Público Eleitoral começou a fechá-la, ao apresentar denúncia criminal contra Lusenrique Quintal (PSD) e Tiago Gardinalli, ex-assessor, no caso dos vídeos contra o então candidato a prefeito Paulo Hadich, na reta final da campanha.

Até então, Quintal havia escapado das acusações feitas pela coligação de Hadich. Primeiro, os advogados ingressaram uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE), com o objetivo de impugnar a candidatura de Quintal, o que lhe traria problemas de inelegibilidade. Esta ação, porém, foi julgada improcedente em todas as instâncias, inclusive no STF.

Mas a Polícia Civil tocou o inquérito instaurado a partir de notícia-crime, a pedido da Justiça Eleitoral. Apuração que desembocou na denúncia contra Quintal e seu ex-assessor, por crimes de calúnia e difamação.

Embora antiga, a denúncia jamais foi engolida por Hadich, por ter mexido com questões familiares. Virou "ponto de honra" para o atual prefeito, tanto que ele já citou o caso num debate com o pré-candidato Mário Botion, que tem como principal apoiador, justamente, Quintal.

O que significa que, mesmo sendo contra Quintal, a denúncia também vira, automaticamente, um pepino gigantesco para Botion, que será insistentemente associado, pelos rivais, ao empresário agora denunciado à Justiça, podendo se transformar em réu nos próximos dias, caso a acusação seja aceita.

* Texto originalmente publicado em 14-6-16 no site Rápido no Ar

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O ano da escolha

Das entrevistas concedidas à imprensa, inclusive à Gazeta de Limeira, no apagar de 2015, depreende-se que o prefeito Paulo Hadich começa o último ano de administração com mais otimismo do que anos anteriores.

Nem mesmo o orçamento minguado previsto para 2016 o impediu de anunciar projetos que lhe faltaram nos três últimos anos, como a novidade do Parque do Mirante no Jardim Planalto, ou, finalmente, a concretização de outros já previstos faz tempo, como a duplicação do restante do anel viário e seu recapeamento, e o bosque municipal, novo nome para substituir o projeto do jardim botânico no antigo zoológico no Centro, pensado inicialmente por Silvio Félix.

Hadich iniciou 2015 com o objetivo de começar a colher frutos de trabalhos, dizia ele, de base nos primeiros dois anos de mandato. Mas a epidemia de dengue varreu por completo esse otimismo, embora muitos projetos tenham andado a contento, como nas áreas de Segurança (muralha digital), Educação (escola em tempo integral), habitação (Rubi e outros projetos habitacionais), lazer (festivais gastronômicos), entre outros.

A dengue derrubou mais ainda a avaliação de Hadich perante a população, colocando-o com níveis de reprovação semelhantes ao do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e a da presidente Dilma Rousseff, como evidenciou a pesquisa feita pela Limite Consultoria a pedido da Gazeta, divulgada na metade do ano.

No ano eleitoral, Hadich sabe que, se deseja mais um mandato à frente do Edifício Prada, terá de fazer um ano de recuperação, ao menos em termos de imagem à população limeirense. Seus níveis de rejeição superavam, até a metade de 2015, os índices de Félix e Lusenrique Quintal, taxa que traz limitações às expectativas eleitorais.

A vantagem que tem sobre os demais é a máquina pública e todos os benefícios decorrentes dela, como o fim das obras do piscinão, a verba finalmente liberada para o anel viário, ou seja, obras visíveis.

A desvantagem é que a insatisfação acumulada da população ao longo dos últimos três anos está prontinha para ser capturada pelos futuros rivais de Hadich na disputa pelo Prada – e o que Hadich mais legou a eles são polêmicas que causam-lhe desgaste à exaustão, lideradas pelas inéditas 20 mortes por dengue.

Em ano de decisão sobre o futuro da cidade, os limeirenses serão bombardeados por dois discursos: o de manutenção do famigerado “novo tempo” prometido por Hadich (que terá de passar pelo crivo final da população) e o de necessidade de novos rumos já ensaiado pelos principais concorrentes, como Botion, Eliseu e Quintal. O debate que será travado nesta eleição ditará o rumo de Limeira na reta final desta década. Boa sorte aos limeirenses neste 2016.

* Artigo publicado originalmente na Gazeta de Limeira edição de 4-1-16

sábado, 21 de novembro de 2015

Órgão técnico do TRE sugere aprovação das contas de Botion com ressalvas

A Secretaria de Controle Interno (SCI) do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo emitiu na última segunda-feira (16.nov.15) parecer conclusivo pela aprovação com ressalvas das contas de Mário Botion, que concorreu a deputado estadual nas eleições de 2014, ficando como suplente do PEN na Assembleia Legislativa.

O processo está, desde o dia 17, na Procuradoria Regional Eleitoral, que emitirá parecer.

Geralmente, o posicionamento do órgão técnico do TRE é seguido pelo MP Eleitoral.

Na sequência, volta ao TRE para julgamento. A desembargadora Diva Malerbi é a relatora do processo.

Nos bastidores, as dúvidas sobre as contas de Botion são acompanhadas pelos seus concorrentes de perto, uma vez que eventual rejeição das contas, hoje mais distante, poderia trazer empecilhos às pretensões do empresário, que é pré-candidato ao Prada nas eleições de 2016. Isto começou em dezembro de 2014, quando a SCI pediu explicações mais detalhadas ao candidato. A defesa de Botion é feita pelo advogado Edilson Merli.

Ao que tudo indica, Botion não deverá ter mais problemas com isso.

* Imagem: Câmara Municipal de Limeira

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Cresce ideia de frente única para encarar Hadich e isolar Félix

Após os primeiros números da pesquisa feita pela Limite Consultoria, a pedido da Gazeta de Limeira, começa a crescer a ideia de união de forças para as eleições de 2016 de modo a se colocar contra o grupo político que atualmente está no Prada e se afastar do ex-prefeito Silvio Félix e Nilton Santos, irmanados em outro projeto.

Lusenrique Quintal, que numericamente está à frente tanto na estimulada quanto na espontânea, está fora da cidade, mas tomou ciência dos números. Ele tem contra si uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que coloca sua eventual candidatura em risco, embora diga publicamente que não está inelegível.

Quintal deve ser procurado em breve por outros dois pré-candidatos.

Mário Botion (PEN) já não esconde o desejo de conversar com o empresário visando as eleições de 2016. Ao mesmo tempo, ele mantém bom trânsito junto aos tucanos, um desejo antigo que enfrenta resistências depois de desentendimentos nas eleições de 2014.

No ninho tucano, há quem acredite que, estando Quintal e Félix inelegíveis, uma eventual união de Eliseu com Botion liquidaria a fatura, já que Hadich, com baixa intenção de votos e altíssima rejeição, teria pouco espaço para crescer rumo à reeleição.

Só que não é tão simples. Eliseu não abre mão de ser cabeça de chapa. Botion também. Para haver aliança, um dos dois terá de ceder.

Caso não seja concretizada a aliança, aumentam as chances de eventual segundo turno. Principalmente se Quintal também efetivar a candidatura e esperar uma decisão da Justiça.

Daí que ganha corpo a união das três forças políticas, Quintal-Botion-Eliseu, num grupo único para enfrentar Hadich.

O PR também pode ser procurado. Hoje, o partido está aliado com Hadich. Mas é importante lembrar que, em 2012, esteve com Quintal. E Miguel Lombardi, comandante do PR, tem bom trânsito com Eliseu.

Além de unificar um discurso de oposição ao atual governo, o grupo estaria afastado do ex-prefeito Silvio Félix, que, apesar das intenções de voto, tem rejeição elevada. Apenas Nilton Santos mergulhou de vez no projeto de retorno do ex-prefeito que foi cassado pela Câmara em 2012.

Menos candidatos aumentam as chances de uma disputa em turno só.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

A verdadeira “caixinha” de surpresas

A presença de dois nomes em condições de inelegibilidade na liderança na primeira pesquisa de intenção de voto para as eleições municipais de 2016 é uma amostra do quão será difícil fazer previsões e apostas sobre quem comandará Limeira a partir de janeiro de 2017.

Uma certeza: advogados, cartórios e juízes terão muita demanda se Quintal e Félix levarem adiante suas vontades pessoais de concorrer.

Numericamente à frente hoje em simulação estimulada, os dois terão um ano para "cozinhar" a discussão, embaralhando totalmente o cenário.

Ninguém hoje arriscaria dizer para quem migrariam eventuais votos que hoje estão em poder dos dois, que mantêm forte presença na periferia.

Entre os demais rivais, Eliseu Daniel tem seus melhores índices nas mesmas regiões da dupla, enquanto Mário Botion, empatado tecnicamente com os líderes, concentra votos em locais em que Hadich, em 2012, era o preferido (regiões de maior renda e escolaridade).

A dupla Quintal-Félix pode muito bem não apoiar nenhum rival e, barrada na Justiça, tentar transferir votos a sucessores – esse cenário é bem possível para o ex-prefeito, cujo índice de rejeição, alto, é um banho de água fria para suas pretensões de voltar pelo voto direto caso consiga – é dificílimo – reverter a inelegibilidade.

Botion e Eliseu devem sair satisfeitos com a fotografia do momento. Em tese, são os melhores posicionados entre aqueles com condições claras de elegibilidade.

Com baixa rejeição, Botion tem potencial de evolução nas intenções de votos.

A rejeição a Eliseu é maior do que a de Botion, mas não preocupante como nos casos de Hadich e Félix.

Incrivelmente, o atual prefeito conseguiu desbancar o posto histórico que pertenceu a Quintal na última década. O empresário sempre liderou o gráfico de rejeição, e hoje conseguiu baixá-la para 13,2%. O suficiente para ser muito cobiçado nas discussões sobre alianças.

Quanto a Hadich, a baixa intenção de voto (6,2%) e a alta rejeição (49,6% dizem que não votaria nele de jeito nenhum) complicam o projeto da reeleição. Mas ele tem um ano com a máquina pública para tentar mudar o panorama. Para seu azar, a economia do país e o governo federal não deverão ajudar.

A surpresa fica mesmo na constatação de que, passado um momento histórico de turbulência institucional como a cassação de um prefeito, a maioria do eleitorado continua a ter predileção por nomes já conhecidos.

Entre os líderes, apenas Botion seria uma novidade. Mas Hadich também foi em 2012 e três anos depois é o nome mais rejeitado.

Por enquanto, a pesquisa divulgada ontem serve como um importante marco de largada para conhecer o personagem mais importante, que é o eleitor. Ele é a verdadeira “caixinha” de surpresas.

* Pesquisa realizada pela Limite Consultoria, a pedido da Gazeta de Limeira

** Artigo originalmente publicado na Gazeta de Limeira edição de 13-7-15

domingo, 24 de maio de 2015

PDT, PTB e PRB formam 1º bloco anti-Hadich para 2016

Morto politicamente em 2012, Silvio Félix está vivo mais do que nunca para 2016, mesmo com as inúmeras condenações e inelegibilidades no currículo.

A aproximação ao PTB - com o atual secretário de Finanças da Câmara, Silvio Brito, a tiracolo - revela, mais uma vez, a participação ativa do ex-prefeito, cassado em 2012, nos movimentos eleitorais de 2016.

O PTB, até a semana passada, caminhava com um projeto próprio para o ano que vem - difícil de ser viabilizado, é verdade, mas dentro do possível para formalizar apoios a candidaturas mais viáveis.

Este projeto, que era tocado pelo empresário Juarez Fabris, fica interrompido após a negociação de Félix diretamente com o deputado
Campos Machado, manda-chuva do partido em São Paulo, conforme revelado neste domingo pela repórter Érica Samara da Silva na Gazeta de Limeira.

Com Brito no possível comando do PTB, a sigla ficará na órbita de Félix, invertendo os papéis de 2012, quando o PDT, avariado pela cassação de seu dirigente, ficou à deriva, rejeitado por todos e acolhido, de forma tímida, pelo PTB de Kléber Leite, interessado apenas na coligação de vereadores.

Embora negue aproximação publicamente, Nilton Santon, presidente da Câmara, e o PRB estão ligadíssimos neste mesmo projeto. Tanto que Nilton abraçou algumas causas de interesse de Félix, como a briga com a Intervias após o fechamento de acessos na Rodovia Limeira-Piracicaba.

Desenha-se, portanto, um primeiro bloco anti-Hadich para 2016, formado, por enquanto, pelo PDT-PRB-PTB.

Mário Botion (PEN), Eliseu Daniel (PSDB) e Lusenrique Quintal (PSD) seguem tímidos na formação de blocos, muito embora o DEM esteja próximo dos tucanos e o Solidariedade, de Jorge de Freitas, ande junto com Mário.

A princípio, quatro polos políticos podem ser formados contra o bloco de Hadich, formado hoje pelo PSB-PT-PMDB-PR e pelo recém-chegado PPS, de Ítalo Ponzo, ex-supersecretário de Félix.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

As oposições se mexem

Se Mário Botion (PEN) colocou o tabuleiro do xadrez eleitoral de 2016 em evidência, ao sair das urnas em 2014 como o candidato a deputado mais votado em Limeira, Eliseu Daniel, como fez em 2012, foi o primeiro a movimentar suas peças, ao anunciar uma surpreendente filiação ao PSDB na última sexta-feira.

Surpreendente porque, após ser coadjuvante de Lusenrique Quintal nas últimas duas eleições, o PSDB, após muito tempo, dá um sinal de que pretende caminhar com suas próprias pernas.

Noutras palavras, Pedrinho Kühl aceitou, finalmente, suas condições precárias de elegibilidade, pavimentando o caminho para outro nome, desta vez do próprio partido, e não de outro.

A sigla, que no confronto direto com o PT na última eleição presidencial, abocanhou mais de 70% dos votos na cidade, sinaliza que tentará aproveitar ao máximo a onda antipetista limeirense.

Botion, que almejava o PSDB, fica sem espaço com a ida de Eliseu à sigla.

Como o PEN tem pouca musculatura, ele pode mirar o PV ou esperar pela Rede Sustentabilidade, partido que Marina Silva deve criar até outubro, a tempo de participar da próxima eleição.

Botion está em situação diferente de Eliseu. Este saiu em baixa na última eleição em que participou e, recém-filiado novamente ao PSDB, terá de aparar eventuais rusgas e desconfianças de partes da sigla que estranharam sua volta. Já Botion saiu em alta da última eleição e tem (ou provavelmente terá) o nome maior do que sua atual (ou futura) sigla.

Há diferença de estilos de oposição também.

Enquanto Eliseu discursa de forma estridente contra Hadich e o PT, Botion faz críticas de forma mais moderada, deixando a virulência para aliados.

Quintal deve tomar o espaço que Pedrinho ocupou nos últimos anos, tentando viabilizar seu nome em meio às incertezas jurídicas.

Punido pela Justiça Eleitoral, ele mantém o discurso de que tem elegibilidade. Só que o antigo parceiro está mais distante e com Eliseu, rival que moveu a ação que torpedeou sua campanha em 2012.

E a parceria Nilton Santos-Silvio Brito observa a movimentação da oposição, quieta no comando da Câmara.

Quanto à situação, Hadich terá ainda 16 meses à frente do Executivo antes de ser confrontado oficialmente com os oponentes.

Tempo suficiente para muita coisa mudar, politicamente, para melhor ou para pior.

O PT tem tempo para se pacificar internamente e decidir qual rumo tomar.

O PR também, de permanecer na proa de Hadich ou se juntar a um dos grupos de oposição.

Há quem diga que antecipar demais a eleição é um erro, porque oferece munição aos rivais.

Os próximos meses - até outubro, quando vence o prazo para filiações visando 2016 – ainda trarão mais lances decisivos.

Quem sabe, até, surpreendentes.

* Artigo publicado originalmente pelo editor na edição de 26-01-15 da Gazeta de Limeira

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Eliseu volta ao PSDB para buscar o Prada em 2016

Em solenidade nesta sexta-feira, o PSDB de Limeira anuncia a vinda de um reforço.

O ex-presidente da Câmara Municipal, Eliseu Daniel dos Santos, que disputou o Edifício Prada na eleição de 2012 pelo DEM, voltará ao partido.

Em convite endereçado à imprensa, o partido cita a reestruturação partidária com vistas à convenção municipal, que deverá ser em março.

O evento de solenidade de novas filiações começa às 17h na Câmara Municipal.

Eliseu e os tucanos não dirão, mas não há outro entendimento possível. Ele vem para ser o candidato do partido em 2016.

Pedrinho Kühl já se convenceu de que não conseguirá reverter seus problemas de elegibilidade tão cedo.

Após duas eleições como coadjuvante de Lusenrique Quintal, o PSDB indica que tentará protagonismo no ano que vem.

Com a saída de Eliseu, o DEM ficará sob liderança do vereador Júlio César Pereira dos Santos, que deve prestigiar a filiação do colega.

Dr.Júlio desponta, naturalmente, como opção para vice - o DEM é um antigo parceiro dos tucanos no plano nacional.

A vinda de Eliseu também sepulta qualquer esperança de Mário Botion, que chegou a se aproximar do PSDB na eleição para Assembleia Legislativa. Botion ficou chamuscado perante a cúpula tucana.

Botion, Eliseu e Quintal (que garante ter elegibilidade, coisa para se discutir judicialmente) são os primeiros desafiantes de Hadich à vista.

* Crédito da imagem: Câmara Municipal de Limeira

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Inelegibilidade de Lusenrique Quintal deixa espólio de 40 mil votos

A comunicação feita pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE) à Justiça Eleitoral de Limeira sobre a inelegibilidade de Lusenrique Quintal, condenado por caixa 2 na eleição de 2012, põe o empresário numa situação jurídica mais complicada que seu apoiador nas últimas duas eleições, Pedrinho Kühl.

Se perguntar a Quintal (na foto), ele dirá, com todas as letras e assim como Pedrinho, que não está inelegível, seguindo entendimento de seus advogados.

Porém, o comunicado do TRE é claro e válido até (e se) houver reversão do julgado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que é considerado dificílimo.

Quintal participou das últimas três eleições municipais - 2004, 2008 e 2012. Foi exatamente na última que obteve o seu melhor desempenho, amealhando mais de 40 mil votos, com uma ampla aliança que acabou perdendo a eleição para Paulo Hadich.

No segundo turno judicial, a coligação de Hadich nocauteou Quintal e tirou-o das disputas eleitorais ao menos nesta década.

Significa que há um capital de 40 mil votos que ficou à deriva, o que abre caminhos para muitos oposicionistas e possíveis desafiantes de Hadich em 2016.

Eliseu Daniel está de olho neste eleitorado.

Mário Botion, que recebeu apoio de Pedrinho Kühl na eleição deste ano, pode vir a ser o substituto de Quintal na parceria com o ex-prefeito para as próximas eleições.

Crédito da imagem: Denis Martins/Gazeta de Limeira

domingo, 12 de outubro de 2014

Corrêa Jr. levou mais votos em Limeira do que Botion em Santos

A totalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo mostrou que o candidato que rivalizou com Mário Botion até o final da apuração contou com ajuda até de eleitores de Limeira.

Presidente do PEN em Santos, Paulo Corrêa Junior foi eleito deputado estadual com 38.483 votos, 92 a mais que Botion.

A ultrapassagem ocorreu nas últimas urnas apuradas no Estado. "Foi tenso, como um jogo de basquete decidido na prorrogação", disse ao G1 de Santos.

Não foi isso o que decidiu a eleição de Corrêa Junior, mas ele conseguiu obter 7 votos em Limeira, terra política de Botion.

O limeirense, por sua vez, ganhou 6 votos em Santos, terra natal de Corrêa Junior (na foto).

Na disputa por votos em territórios alheios, Paulo Corrêa também superou Botion por pouco.

Crédito da foto: G1

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

PR se cacifa para pleitear a vice em 2016

Com a eleição de Miguel Lombardi para o Congresso Nacional, o PR tem tudo para se tornar a "noiva" em 2016.

Dificilmente Lombardi arriscaria deixar Brasília, algo certo, para um voo local, algo incerto. Ele, aliás, já disse que descarta concorrer ao Edifício Prada.

Lombardi tem perfil mais para o Legislativo do que o Executivo.

Porém, os futuros pretendentes ao Prada virão com muita sede buscar o apoio da sigla e do futuro deputado.

Vale lembrar que, em 2012, o PR quase indicou o candidato a vice na chapa do empresário Lusenrique Quintal. Só cedeu, após muita costura, porque não havia outro jeito de atrair o PSDB de Pedrinho Kühl senão abrigar um indicado tucano à chapa principal - José Luiz Gazotti foi o escolhido.

Hoje, a bancada do PR atua em sintonia com o governo de Paulo Hadich.

Dois anos é muito tempo, mas, certamente, a vice da chapa do PSB em 2016 deve ser o PT (novamente) ou o PMDB, também integrante da coligação que venceu em 2012.

Com Botion despontando como nome forte, a indefinição sobre a elegibilidade de Quintal também anima Eliseu Daniel a pensar no Prada.

Os dois devem procurar, ao máximo, manter relações cordiais com Lombardi no próximo ano.

Porque sabem que a eleição de 2016 passará pelo PR.

*Ampliação de nota originalmente publicada pelo autor na coluna Prisma, na Gazeta de Limeira, edição de 08/10/14

O que faltou para Botion foi para aliado de Tercio Garcia na Baixada Santista

Caio França (PSB), filho do futuro vice-governador Márcio França, foi eleito deputado estadual com 123 mil votos, a maioria dada em seu reduto político, a Baixada Santista.

Especialmente em São Vicente, onde o pai foi prefeito e ele mesmo tentou o cargo, ao ser escolhido pelo hoje secretário da Administração em Limeira, Tercio Garcia, como seu candidato a sucessão em 2012 - Caio perdeu a eleição.

Tercio é afilhado político do pai de Caio, a quem sucedeu e governou São Vicente entre 2005 e 2012. Derrotado na eleição, veio para Limeira integrar o secretariado de Paulo Hadich, na pasta de Administração.

E o eleitorado limeirense colaborou para a eleição de Caio França.

Ele teve 89 votos na cidade.

É quase o que faltou para Mário Botion também chegar à Assembleia Legislativa (92 votos, para ser exato).

Torcer para Caio também ajudar os limeirenses.

Tercio e Hadich podem ser os canais de diálogo.

*Ampliação de nota originalmente publicada pelo autor na coluna Prisma, na Gazeta de Limeira, edição de 08/10/14

**Crédito da foto: www.marciofranca.com.br

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Limeirenses apoiam Bin Laden e Barack Obama

Antes de mais nada, vamos com calma.

Não há sinal de apoio ao terrorismo em Limeira. Nem de apoio a uma intervenção norte-americana na cidade.

Vamos lá. O ajudante de obras Manoel dos Santos Silva, 49 anos, o Bin Laden, recebeu 13 votos em Limeira. Ele foi candidato a deputado estadual pelo PEN, o mesmo partido de Mário Botion.

Noutro extremo, o contador Cosme Antônio Euzébio da Silva, 52 anos, o Cosme Barack Obama, conquistou 1 votinho em Limeira. Ele disputou uma vaga no Congresso Nacional pelo PMDB.

Seja como for, nenhum dos dois se elegeram.

Crédito: Reprodução da TV

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Mário Botion perde ganhando

Foi por muito pouco.

Mário Botion (PEN) recebeu 38.397 votos e ficou fora da Assembleia Legislativa por 92 votos. Fica na suplência e na dependência de acertos partidários para ganhar uma cadeira de deputado estadual.

Apesar dos deslizes cometidos na campanha - entre outros, publicar dados distorcidos de uma pesquisa eleitoral e angariar apoios visando muito mais o Edifício Prada do que a Assembleia -, Botion sai da disputa maior do que entrou.

Em sua primeira disputa a deputado estadual, ele ganhou 10 mil votos a mais do que Paulo Hadich recebeu em 2010 - o delegado virou prefeito dois anos depois.

Se eleito, Botion enfrentaria o dilema de decidir sobre uma candidatura ao Edifício Prada em 2016 no meio de um mandato.

Fora da Assembleia, ele não teria de responder a eventuais perguntas a respeito do compromisso firmado com o eleitor em 2014.

Botion faz uma trajetória política semelhante à de Hadich. Seu eleitorado principal se concentra nas camadas onde o atual prefeito prevalecia na campanha de 2012. Ambos se sobressaíram como opositores de Félix. A diferença é que Botion foi sutilmente ejetado da disputa municipal há dois anos pelo seu então partido, o PMDB.

Nessa campanha, Botion projetou seu nome para outras camadas.

Foi o candidato de Limeira mais votado, embora não tenha sido eleito.

É candidatíssimo a desafiar Hadich em 2016.

Ele vem com tudo.

Crédito: Câmara Municipal de Limeira

Tiririca, um verdadeiro pai para Limeira

Limeira deve comemorar a eleição de Miguel Lombardi (PR) para deputado federal, mas não deve se esquecer, nunca, de agradecer a um palhaço.

Com 32 mil votos, sendo 30 mil deles em Limeira, Lombardi foi o segundo deputado paulista eleito com menor número de votos. Entrou em função da votação (de novo) extraordinária do palhaço Tiririca, que obteve mais de 1 milhão de votos.

Tiririca foi uma criação política de Valdemar da Costa Neto, condenado no caso do mensalão. Foi com os votos de Tiririca que o chefão do PR conseguiu se eleger em 2010. Naquela época, o palhaço ajudou Limeira ao levar para o Congresso Nacional o ex-vereador Otoniel Lima, do PRB. Só em Limeira, ele teve 6.299 votos.

O PR repetiu a dose em 2014, mas desta vez não coligou com ninguém, para somente beneficiar integrantes da sigla, e não da coligação, como ocorreu há quatro anos.

Deu certo. E agora levou consigo Miguel Lombardi.

A votação de Miguelzinho é baixa para torná-lo, de imediato, uma consistente liderança política local e regional. Ficou com menos votos, por exemplo, que Mário Botion (PEN).

Mas Lombardi pode começar a cultivar o seu espaço, pois terá, certamente, apoio inicial até de muita gente que não votou nele, mas que reconhece a importância de sua eleição para Limeira, fato incontestável.

Por isso, devemos agradecer.

Obrigado, Tiririca!

Crédito: Reprodução

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Elza e Ronei - parte 2

Discussão de projeto que autoriza o Executivo a fazer convênios com associações de bairro.

Ronei vai à tribuna e pede para os vereadores rejeitarem a emenda proposta pelo governista Silvio Brito (PDT), para que não prejudicasse a do vereador Paulo Hadich, que, além de contemplar o pedido de Brito - exigência de CNPJ às associações - listava uma série de requisitos mínimos para a celebração dos convênios, exigências estas da própria Prefeitura para com as entidades assistenciais.

Elza, que sempre faz suas colocações sentada, pede a palavra e caminha calmamente até a tribuna. O discurso começa lento e progride aos poucos. No auge, começa a criticar a postura de Ronei.

"Está na hora de parar de posar como se fosse só você o salvador da pátria, o que luta pelo povo. Você ainda tem muito o que crescer politicamente", diz em voz alta a líder do governo Félix.

Ronei exaspera-se; pede, ao fim do discurso de Elza, palavra ao presidente da sessão - naquele momento, Farid - e diz que quer saber o que a vereadora quis dizer com aquela frase "crescer politicamente". "A senhora parece que quer ganhar sempre no grito!", grita o petista.

Temendo o desgoverno da discussão, Farid intervém e pede para encerrar a discussão. Nilce Segalla (PDT) ergue-se e diz. "Senhores vereadores, vamos manter os ânimos, até porque há uma corregedoria nesta casa".

Eliseu, que voltou nesta hora ao plenário, passou a presidência para Cortez e foi até a tribuna defender o projeto do prefeito Sílvio Félix. Criticou a emenda de Hadich.

"Se quisermos matar o projeto, então vamos aprovar o projeto do senhor", disse ao delegado. Lembrou que exigir auto de vistoria do Corpo de Bombeiros às associações é um absurdo e que as regras do convênio serão fiscalizadas pelo TCE (daí a citação a este jornalista, mencionada no post abaixo).

Mário Botion (PR) criticou e disse que votaria contra o projeto, e não contra as associações de bairro.

Disse que, do jeito que estava, o projeto era genérico demais e previa passar atribuições às associações de bairro que a Prefeitura tem capacidade para fazer.

Aproveitando-se politicamente do discurso de Botion, Cortez disse que jamais votaria contra as associações de bairro.

Resultado: 9 a 4 a favor do projeto; com a aprovação da emenda de Brito, ficou prejudicada a de Hadich, que lamentou. "Não esperava que minha emenda causasse essa celeuma toda. Vou para casa sem entender porque usaram dois pesos e duas medidas", numa referência às exigências impostas pela Prefeitura às entidades assistenciais e que não valerão às associações de bairro.

Faltava ainda o último troco de Elza a Ronei. O petista apresentou emenda pedindo para que um balancete das associações, descrevendo toda a prestação de contas, fosse publicado no Jornal Oficial.

Para explicar os motivos, Ronei foi a tribuna e passou a discursar sobre o princípio da publicidade na administração pública. Numa espécie de boicote, a ala governista desapareceu do plenário, tanto que, em determinado momento, Eliseu interrompeu a fala do petista pedindo para que os vereadores retornassem ao plenário e dessem quórum mínimo para que a sessão continuasse. Carlinhos Silva voltou, com cara de quem apenas estava ali para que a sessão prosseguisse.

Quando a emenda foi posta em votação, a ala governista voltou em peso ao plenário. Aí foi fácil a vitória. À frente, Sílvio Brito, autor da emenda criticada pelo petista, foi o primeiro a se levantar para impor a derrota à Ronei.

Não importava o conteúdo da emenda. Sob comando de Elza, a base governista estava ali para derrotar Ronei. E conseguiu.