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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A absurda política de compensação

A necessidade de pessoas qualificadas para ajudar um governante em sua administração é um debate que se faz há milhares de anos.

Dia desses, enquanto assistia perplexo à "montagem" do ministério da presidente Dilma, conheci algumas ideias do filósofo indiano Kautilya, que viveu entre os anos 350 e 275 antes de Cristo.

Uma de suas máximas é: "A roda não se move sozinha". Ele defendia que o governante, antes de assumir, precisa da ajuda de mestres mais experientes e com maior conhecimento e, ao assumir, deve indicar pessoas capacitadas para serem seus conselheiros. Tão capacitadas que, se preciso fosse, deveriam impedir um governante com más intenções de agir a seu favor.

Kautilya, provavelmente, ficaria ainda mais perplexo do que eu ao analisar os "conselheiros" de Dilma.

Na Educação, para tocar o slogan "Brasil, Pátria Educadora", não é um especialista que assume, mas um político (Cid Gomes) que está recebendo uma recompensa por não apoiar um rival da presidente.

Na Agricultura, Kátia Abreu, ferrenha opositora do governo Lula, é a nova ministra, ela que pertencia ao DEM, sigla que, segundo Lula, deveria ser exterminada.

A pasta dos Esportes foi entregue à Igreja Universal, a um ano e meio das Olimpíadas, um ministro (George Hilton) que admite saber pouco de esporte, mas conhece gente, eufemismo para disfarçar a inexperiência.

Na pasta das Cidades, Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo que terminou com péssima avaliação e em cujo governo progrediu a chamada máfia do ISS.

Nos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, apadrinhado de Valdemar Costa Neto, aquele condenado no caso do mensalão que está cumprindo pena.

Pior foi Dilma dizer que consultaria a Procuradoria-Geral da República para saber se um potencial ministeriável estaria nas investigações da Operação Lava Jato. Óbvio, recebeu um "não", já que o MP não é órgão consultor do Executivo.

Os novos ministros podem até surpreender em suas tarefas, mas é sintomático o fato de o ministério ter sido montado na base da troca pura de apoios no Congresso, e não na capacitação comprovada nas áreas.

E isso virou rotina no País do "presidencialismo de coalizão", no qual o Executivo fica dependente de um Legislativo composto, também, por siglas que só existem para negociação de cargos e apoios.

Por mais que Dilma quisesse um ministério técnico, ela não conseguiu escapar do fisiologismo que domina as relações políticas no País.

Pior que a montagem do ministério é entender como normal essa política de compensação partidária em detrimento da qualificação técnica. Os comandantes do Executivo de todo o País deveriam se atentar, também, à outra frase de Kautilya: "Através dos olhos dos ministros, as fraquezas de outros são vistas".

Mais atual do que nunca.

* Artigo publicado originalmente pelo editor na edição de 05-01-15 da Gazeta de Limeira

** Crédito da imagem: Agência Brasil

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Tiririca, um verdadeiro pai para Limeira

Limeira deve comemorar a eleição de Miguel Lombardi (PR) para deputado federal, mas não deve se esquecer, nunca, de agradecer a um palhaço.

Com 32 mil votos, sendo 30 mil deles em Limeira, Lombardi foi o segundo deputado paulista eleito com menor número de votos. Entrou em função da votação (de novo) extraordinária do palhaço Tiririca, que obteve mais de 1 milhão de votos.

Tiririca foi uma criação política de Valdemar da Costa Neto, condenado no caso do mensalão. Foi com os votos de Tiririca que o chefão do PR conseguiu se eleger em 2010. Naquela época, o palhaço ajudou Limeira ao levar para o Congresso Nacional o ex-vereador Otoniel Lima, do PRB. Só em Limeira, ele teve 6.299 votos.

O PR repetiu a dose em 2014, mas desta vez não coligou com ninguém, para somente beneficiar integrantes da sigla, e não da coligação, como ocorreu há quatro anos.

Deu certo. E agora levou consigo Miguel Lombardi.

A votação de Miguelzinho é baixa para torná-lo, de imediato, uma consistente liderança política local e regional. Ficou com menos votos, por exemplo, que Mário Botion (PEN).

Mas Lombardi pode começar a cultivar o seu espaço, pois terá, certamente, apoio inicial até de muita gente que não votou nele, mas que reconhece a importância de sua eleição para Limeira, fato incontestável.

Por isso, devemos agradecer.

Obrigado, Tiririca!

Crédito: Reprodução