Eu desconfio de todo pacote de medidas anunciadas da noite para o dia.
Na semana passada, menos de um ano depois que os brasileiros foram às urnas para escolher a melhor proposta ao País, surge, no meio da crise política-econômica na qual se meteu o governo Dilma, um rol de ações elencadas inesperadamente pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, que até outro dia andava a espezinhar o governo.
A “Agenda Brasil” mal foi discutida e já foi imediatamente aprovada por Dilma, que tratou até de ampliar as medidas para sair do marasmo que hoje marca sua administração.
Como todo pacote de medidas anunciadas da noite para o dia, é melhor não esperar muita coisa dali.
Em 2013, acossada por uma manifestação que começou por reivindicações no transporte coletivo e ganhou ares inimagináveis contra a classe política, Dilma também anunciou uma série de propostas no âmbito da reforma política, em especial uma espécie de assembleia nos moldes da Constituinte. Como previsto, não deu em nada.
Neste ano, a Câmara dos Deputados, para mostrar serviço, decidiu finalmente votar um pacote de ações para implementar a reforma política. Quase nada mudou, e o que foi alterado, em alguns casos, significou voltar a estágios já conhecidos, como o fim da reeleição, nada de novidade.
A “Agenda Brasil” tem vários tópicos genéricos, como “expandir a possibilidade de firmar acordos bilaterais e multilaterais”, ação tão óbvia que deveria ser a natural missão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Dos 27 itens inicialmente sugeridos por Renan, 19 já tramitam em forma de projetos de lei. Chega a ser curioso o fato de o Congresso oferecer uma pauta, com ares de salvação, ao Executivo sendo que dormita nele a mesma pauta.
A mais promissora das propostas, que é a redução do Estado, com enxugamento de ministérios e cargos, é a que mais terá resistências.
Da boca para fora, é fácil externar esse desejo. Difícil é fazer o corte, que afetará funções ocupadas por indicados de partidos que hoje formam uma base extremamente frágil na Câmara dos Deputados e já descontente com o governo.
O Renan que vai trabalhar a aprovação desse tópico é o mesmo que retaliou Dilma no início do ano porque um indicado seu foi despejado por Dilma do cargo para acomodar outro aliado.
Velha, a agenda é uma bela cortina de fumaça para esconder a inércia do governo federal. Apenas isso.
* Artigo publicado originalmente na Gazeta de Limeira edição de 17-8-15
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segunda-feira, 17 de agosto de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
O real descolamento
O documento vazado da Secretaria de Comunicação do governo federal, que mostra os problemas vividos por Dilma e aponta sugestões, veste perfeitamente o governo Paulo Hadich.
Muito antes do epicentro da dengue, as forças políticas que o elegeram parecem minoritárias nas redes sociais, tal como as que elegeram a petista à presidência.
Basta uma olhadinha no perfil do prefeito ou na página da Prefeitura. Em qualquer assunto tratado, a grande maioria dos comentários é de crítica contumaz e, desde o início de fevereiro, sempre relativo à epidemia.
Em 2012, Hadich acertou na militância digital de sua campanha.
Em sistema de revezamento e plantão, a equipe ofuscava qualquer foco negativo publicado na rede, bem como propagava positivamente a própria campanha. Foi esse movimento que barrou, instantaneamente, os estragos de um vídeo criminoso e difamatório postado nas redes na última semana.
Se na avaliação interna o governo Dilma rompeu, no início de 2011, com a militância digital, em Limeira a equipe se desmontou e foi toda aboletada em cargos na Prefeitura. Por um tempo, funcionou em ação conjunta, mas o vazamento de uma dessas conversas na rede provocou um tremendo mal estar interno, com direito até de pito de Hadich em seus subordinados.
Se o ativismo pró-Dilma na internet foi quase extinto, o pró-Hadich em Limeira está enfraquecido, prega apenas para convertidos e é incapaz de estabelecer o diálogo que, na campanha eleitoral, funcionou com perfeição.
Com o Edifício Prada em estado letárgico, as forças de oposição a Hadich, bem como antipatizantes, deitam e rolam com um fluxo contínuo de material anti-PT e anti-Hadich, assim como a oposição faz com Dilma no plano federal.
Se na versão da Secom o jogo político, transformado em metáfora futebolística, apontou que Dilma está entrando em campo perdendo de 8 a 2, imaginemos aqui: em agosto passado, de cada dez limeirenses, menos de dois avaliavam positivamente o governo Hadich. Depois da dengue, são poucos os que acreditam que esse número subiu.
A comunicação de Dilma diz que é possível virar o jogo, ganhando, antes das redes, as ruas novamente, respondendo, de forma clara e objetiva, o que é feito no País e contra seus problemas.
A receita é simples: falar mais, se expor mais. Indiretamente, se comunicar melhor e com mais humildade.
A receita pode ser aplicada aqui?
Sim. O problema é que o governo Hadich, como todos os grupos políticos em geral, tem dificuldade em lidar com críticas e vê golpismo e ação orquestrada por adversários em tudo.
Aí reside a grande diferença entre os planos nacional e municipal. Se em Brasília houve um descolamento entre o governo e a sua militância, em Limeira o descolamento se deu diretamente entre o governo e a população em geral.
* Artigo publicado originalmente na Gazeta de Limeira edição de 23-03-15
Muito antes do epicentro da dengue, as forças políticas que o elegeram parecem minoritárias nas redes sociais, tal como as que elegeram a petista à presidência.
Basta uma olhadinha no perfil do prefeito ou na página da Prefeitura. Em qualquer assunto tratado, a grande maioria dos comentários é de crítica contumaz e, desde o início de fevereiro, sempre relativo à epidemia.
Em 2012, Hadich acertou na militância digital de sua campanha.
Em sistema de revezamento e plantão, a equipe ofuscava qualquer foco negativo publicado na rede, bem como propagava positivamente a própria campanha. Foi esse movimento que barrou, instantaneamente, os estragos de um vídeo criminoso e difamatório postado nas redes na última semana.
Se na avaliação interna o governo Dilma rompeu, no início de 2011, com a militância digital, em Limeira a equipe se desmontou e foi toda aboletada em cargos na Prefeitura. Por um tempo, funcionou em ação conjunta, mas o vazamento de uma dessas conversas na rede provocou um tremendo mal estar interno, com direito até de pito de Hadich em seus subordinados.
Se o ativismo pró-Dilma na internet foi quase extinto, o pró-Hadich em Limeira está enfraquecido, prega apenas para convertidos e é incapaz de estabelecer o diálogo que, na campanha eleitoral, funcionou com perfeição.
Com o Edifício Prada em estado letárgico, as forças de oposição a Hadich, bem como antipatizantes, deitam e rolam com um fluxo contínuo de material anti-PT e anti-Hadich, assim como a oposição faz com Dilma no plano federal.
Se na versão da Secom o jogo político, transformado em metáfora futebolística, apontou que Dilma está entrando em campo perdendo de 8 a 2, imaginemos aqui: em agosto passado, de cada dez limeirenses, menos de dois avaliavam positivamente o governo Hadich. Depois da dengue, são poucos os que acreditam que esse número subiu.
A comunicação de Dilma diz que é possível virar o jogo, ganhando, antes das redes, as ruas novamente, respondendo, de forma clara e objetiva, o que é feito no País e contra seus problemas.
A receita é simples: falar mais, se expor mais. Indiretamente, se comunicar melhor e com mais humildade.
A receita pode ser aplicada aqui?
Sim. O problema é que o governo Hadich, como todos os grupos políticos em geral, tem dificuldade em lidar com críticas e vê golpismo e ação orquestrada por adversários em tudo.
Aí reside a grande diferença entre os planos nacional e municipal. Se em Brasília houve um descolamento entre o governo e a sua militância, em Limeira o descolamento se deu diretamente entre o governo e a população em geral.
* Artigo publicado originalmente na Gazeta de Limeira edição de 23-03-15
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segunda-feira, 16 de março de 2015
Hora da sinceridade
Pedir desculpas deveria ser um gesto simples e espontâneo, mas é cercado de complicações.
Se na cultura japonesa é mais do que uma questão de educação – é um pilar da cultura local -, na brasileira o gesto esbarra nas consequências do que pode vir a ser um reconhecimento de falha.
Na esfera governamental, pedir desculpas equivale, muitas vezes, a um suicídio político e a certeza de oferecer a um adversário ferramentas que serão utilizadas contra ele próprio em hora conveniente.
A revolta que levou ontem brasileiros às ruas e o sentimento antipetista que aflorou na última eleição e, pelo jeito, só cresce, decorrem em grande parte de erros comportamentais do próprio PT no governo.
Em 2005, em meio ao escândalo do mensalão, Lula foi à TV pedir desculpas ao povo brasileiro, dizendo que era necessário tomar medidas drásticas para evitar que situações como aquela continuassem a se repetir no futuro. Na época, o PT expulsara Delúbio Soares, numa tentativa de mostrar que cortava da própria carne.
O tempo encarregou-se de mostrar que nenhum dos gestos foi verdadeiro. Lula deixou a presidência dizendo que passaria a vida inteira desmascarando o mensalão, já julgado pela Justiça. Delúbio foi reintegrado ao partido. E, a julgar pelo que vemos na Petrobras, situações até piores do que o mensalão continuaram a ocorrer.
A campanha de Dilma no ano passado aumentou a percepção de fingimento.
Marina foi destruída por uma peça publicitária terrorista, feita pelo PT, que a associava aos banqueiros, para mais tarde a presidente reeleita ir a um banco buscar seu ministro da Fazenda.
As primeiras medidas tomadas para mudar o cenário econômico que seu próprio governo criou se encaixam mais no que Dilma dizia que seus adversários fariam do que naquilo que ela dizia que faria.
Some isso à montagem de um ministério com pessoas que, até ontem, demonizavam o PT, o que, naturalmente, criou constrangimento com seu próprio partido.
Adicione, a seguir, o discurso desastrado da presidente no último dia 8, quando pediu paciência aos brasileiros sem oferecer nenhuma palavra ou ação enérgica contra a lama descoberta na Petrobras comandada por seu partido.
Convenhamos: para que o trabalhador tenha paciência recebendo a conta de energia, em média, 24% mais cara e pagando gasolina mais cara, é preciso oferecer algo.
Se Dilma não tem nada a mostrar de ações exemplares contra corruptos e corruptores, ao menos poderia pedir desculpas e reconhecer que seu governo errou na condução da economia nos últimos anos.
Ao não fazer nem um nem outro, ela própria alimenta o discurso – legal dentro da democracia, mas sem razão jurídica, por ora – do impeachment.
Passou da hora de um pedido de desculpas mais sincero.
* Artigo publicado pelo editor originalmente na Gazeta de Limeira edição de 16-3-15
Se na cultura japonesa é mais do que uma questão de educação – é um pilar da cultura local -, na brasileira o gesto esbarra nas consequências do que pode vir a ser um reconhecimento de falha.
Na esfera governamental, pedir desculpas equivale, muitas vezes, a um suicídio político e a certeza de oferecer a um adversário ferramentas que serão utilizadas contra ele próprio em hora conveniente.
A revolta que levou ontem brasileiros às ruas e o sentimento antipetista que aflorou na última eleição e, pelo jeito, só cresce, decorrem em grande parte de erros comportamentais do próprio PT no governo.
Em 2005, em meio ao escândalo do mensalão, Lula foi à TV pedir desculpas ao povo brasileiro, dizendo que era necessário tomar medidas drásticas para evitar que situações como aquela continuassem a se repetir no futuro. Na época, o PT expulsara Delúbio Soares, numa tentativa de mostrar que cortava da própria carne.
O tempo encarregou-se de mostrar que nenhum dos gestos foi verdadeiro. Lula deixou a presidência dizendo que passaria a vida inteira desmascarando o mensalão, já julgado pela Justiça. Delúbio foi reintegrado ao partido. E, a julgar pelo que vemos na Petrobras, situações até piores do que o mensalão continuaram a ocorrer.
A campanha de Dilma no ano passado aumentou a percepção de fingimento.
Marina foi destruída por uma peça publicitária terrorista, feita pelo PT, que a associava aos banqueiros, para mais tarde a presidente reeleita ir a um banco buscar seu ministro da Fazenda.
As primeiras medidas tomadas para mudar o cenário econômico que seu próprio governo criou se encaixam mais no que Dilma dizia que seus adversários fariam do que naquilo que ela dizia que faria.
Some isso à montagem de um ministério com pessoas que, até ontem, demonizavam o PT, o que, naturalmente, criou constrangimento com seu próprio partido.
Adicione, a seguir, o discurso desastrado da presidente no último dia 8, quando pediu paciência aos brasileiros sem oferecer nenhuma palavra ou ação enérgica contra a lama descoberta na Petrobras comandada por seu partido.
Convenhamos: para que o trabalhador tenha paciência recebendo a conta de energia, em média, 24% mais cara e pagando gasolina mais cara, é preciso oferecer algo.
Se Dilma não tem nada a mostrar de ações exemplares contra corruptos e corruptores, ao menos poderia pedir desculpas e reconhecer que seu governo errou na condução da economia nos últimos anos.
Ao não fazer nem um nem outro, ela própria alimenta o discurso – legal dentro da democracia, mas sem razão jurídica, por ora – do impeachment.
Passou da hora de um pedido de desculpas mais sincero.
* Artigo publicado pelo editor originalmente na Gazeta de Limeira edição de 16-3-15
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
A novela do impeachment
O impeachment da presidente Dilma Rousseff parece próximo quando ouvimos conversas na rua e lemos discursos em rede social.
Há quem crie eventos para comemorar a queda como se ela fosse uma festa de final de semana.
Há quem peça sua saída porque não gostou das medidas recém-anunciadas no âmbito econômico.
Hoje, há espaço para verbalizar qualquer ideia, ainda que esta tenha pouco embasamento.
O movimento que visa atingir Dilma encontra, até aqui, comparações com os absurdos pedidos de cassação contra o prefeito Paulo Hadich que chegaram à Câmara em seus dois primeiros anos de mandato.
No âmbito nacional, há ingredientes em comum.
Existe uma parcela imensa de brasileiros raivosos com Dilma, o que explica os 51 milhões de votos que quase deram a presidência a Aécio Neves.
Segundo, está em curso uma investigação que lança acusações gravíssimas ao partido da presidente, ainda a serem comprovadas – em Limeira, qualquer ação do MP vira, para alguns, justificativa para cassar o prefeito em exercício.
Nesta semana, a mais grave acusação no caso da Lava Jato deu conta de que o PT recebeu até US$ 200 milhões em propinas na última década.
Surgiu na imprensa um parecer que aponta viabilidade jurídica para iniciar um processo de impeachment de Dilma.
Li o texto e tive a impressão de estar diante de uma cachoeira em que a água, para chegar ao destino, desvia-se entre milhares de pedras, em trajeto sinuoso e entre brechas, tudo para que a tese desejada saia justificada.
Noutras palavras, forçaram a barra.
Embora seja o desejo de muitos, não há nada, por ora, que ligue Dilma aos maus feitos na Petrobras. Há, sim, fortes indícios de que seu partido, ou nomes indicados por ele, engendrou esquema de arrecadação ilícita de dinheiro para turbinar campanhas eleitorais.
O desafio dos investigadores é verificar se este dinheiro ilegal abasteceu a campanha de Dilma. Se isso ficar comprovado, ela tem motivos para ficar preocupada.
Não devemos esquecer que eventual discussão de impeachment precisa, além de um fato jurídico embasado, de um momento político, já que o resultado, qualquer que seja, é dessa natureza.
O descontentamento com o governo Dilma e a crítica de quem está cansado de tantos escândalos de corrupção são o que mais abastecem a vontade de cassação.
Se a presidente está fazendo tudo o que combateu na campanha e o que ela dizia que seus adversários fariam, descontentamento se mostra na urna, e não em aventuras jurídicas lançadas ao sabor das circunstâncias.
Impeachment é coisa séria demais para ser tratada como o próximo capítulo da novela das oito.
* Artigo publicado originalmente pelo editor na edição de 09-02-15 da Gazeta de Limeira
** Crédito: Presidência da República
Há quem crie eventos para comemorar a queda como se ela fosse uma festa de final de semana.
Há quem peça sua saída porque não gostou das medidas recém-anunciadas no âmbito econômico.
Hoje, há espaço para verbalizar qualquer ideia, ainda que esta tenha pouco embasamento.
O movimento que visa atingir Dilma encontra, até aqui, comparações com os absurdos pedidos de cassação contra o prefeito Paulo Hadich que chegaram à Câmara em seus dois primeiros anos de mandato.
No âmbito nacional, há ingredientes em comum.
Existe uma parcela imensa de brasileiros raivosos com Dilma, o que explica os 51 milhões de votos que quase deram a presidência a Aécio Neves.
Segundo, está em curso uma investigação que lança acusações gravíssimas ao partido da presidente, ainda a serem comprovadas – em Limeira, qualquer ação do MP vira, para alguns, justificativa para cassar o prefeito em exercício.
Nesta semana, a mais grave acusação no caso da Lava Jato deu conta de que o PT recebeu até US$ 200 milhões em propinas na última década.
Surgiu na imprensa um parecer que aponta viabilidade jurídica para iniciar um processo de impeachment de Dilma.
Li o texto e tive a impressão de estar diante de uma cachoeira em que a água, para chegar ao destino, desvia-se entre milhares de pedras, em trajeto sinuoso e entre brechas, tudo para que a tese desejada saia justificada.
Noutras palavras, forçaram a barra.
Embora seja o desejo de muitos, não há nada, por ora, que ligue Dilma aos maus feitos na Petrobras. Há, sim, fortes indícios de que seu partido, ou nomes indicados por ele, engendrou esquema de arrecadação ilícita de dinheiro para turbinar campanhas eleitorais.
O desafio dos investigadores é verificar se este dinheiro ilegal abasteceu a campanha de Dilma. Se isso ficar comprovado, ela tem motivos para ficar preocupada.
Não devemos esquecer que eventual discussão de impeachment precisa, além de um fato jurídico embasado, de um momento político, já que o resultado, qualquer que seja, é dessa natureza.
O descontentamento com o governo Dilma e a crítica de quem está cansado de tantos escândalos de corrupção são o que mais abastecem a vontade de cassação.
Se a presidente está fazendo tudo o que combateu na campanha e o que ela dizia que seus adversários fariam, descontentamento se mostra na urna, e não em aventuras jurídicas lançadas ao sabor das circunstâncias.
Impeachment é coisa séria demais para ser tratada como o próximo capítulo da novela das oito.
* Artigo publicado originalmente pelo editor na edição de 09-02-15 da Gazeta de Limeira
** Crédito: Presidência da República
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
A absurda política de compensação
A necessidade de pessoas qualificadas para ajudar um governante em sua administração é um debate que se faz há milhares de anos.
Dia desses, enquanto assistia perplexo à "montagem" do ministério da presidente Dilma, conheci algumas ideias do filósofo indiano Kautilya, que viveu entre os anos 350 e 275 antes de Cristo.
Uma de suas máximas é: "A roda não se move sozinha". Ele defendia que o governante, antes de assumir, precisa da ajuda de mestres mais experientes e com maior conhecimento e, ao assumir, deve indicar pessoas capacitadas para serem seus conselheiros. Tão capacitadas que, se preciso fosse, deveriam impedir um governante com más intenções de agir a seu favor.
Kautilya, provavelmente, ficaria ainda mais perplexo do que eu ao analisar os "conselheiros" de Dilma.
Na Educação, para tocar o slogan "Brasil, Pátria Educadora", não é um especialista que assume, mas um político (Cid Gomes) que está recebendo uma recompensa por não apoiar um rival da presidente.
Na Agricultura, Kátia Abreu, ferrenha opositora do governo Lula, é a nova ministra, ela que pertencia ao DEM, sigla que, segundo Lula, deveria ser exterminada.
A pasta dos Esportes foi entregue à Igreja Universal, a um ano e meio das Olimpíadas, um ministro (George Hilton) que admite saber pouco de esporte, mas conhece gente, eufemismo para disfarçar a inexperiência.
Na pasta das Cidades, Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo que terminou com péssima avaliação e em cujo governo progrediu a chamada máfia do ISS.
Nos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, apadrinhado de Valdemar Costa Neto, aquele condenado no caso do mensalão que está cumprindo pena.
Pior foi Dilma dizer que consultaria a Procuradoria-Geral da República para saber se um potencial ministeriável estaria nas investigações da Operação Lava Jato. Óbvio, recebeu um "não", já que o MP não é órgão consultor do Executivo.
Os novos ministros podem até surpreender em suas tarefas, mas é sintomático o fato de o ministério ter sido montado na base da troca pura de apoios no Congresso, e não na capacitação comprovada nas áreas.
E isso virou rotina no País do "presidencialismo de coalizão", no qual o Executivo fica dependente de um Legislativo composto, também, por siglas que só existem para negociação de cargos e apoios.
Por mais que Dilma quisesse um ministério técnico, ela não conseguiu escapar do fisiologismo que domina as relações políticas no País.
Pior que a montagem do ministério é entender como normal essa política de compensação partidária em detrimento da qualificação técnica. Os comandantes do Executivo de todo o País deveriam se atentar, também, à outra frase de Kautilya: "Através dos olhos dos ministros, as fraquezas de outros são vistas".
Mais atual do que nunca.
* Artigo publicado originalmente pelo editor na edição de 05-01-15 da Gazeta de Limeira
** Crédito da imagem: Agência Brasil
Dia desses, enquanto assistia perplexo à "montagem" do ministério da presidente Dilma, conheci algumas ideias do filósofo indiano Kautilya, que viveu entre os anos 350 e 275 antes de Cristo.
Uma de suas máximas é: "A roda não se move sozinha". Ele defendia que o governante, antes de assumir, precisa da ajuda de mestres mais experientes e com maior conhecimento e, ao assumir, deve indicar pessoas capacitadas para serem seus conselheiros. Tão capacitadas que, se preciso fosse, deveriam impedir um governante com más intenções de agir a seu favor.
Kautilya, provavelmente, ficaria ainda mais perplexo do que eu ao analisar os "conselheiros" de Dilma.
Na Educação, para tocar o slogan "Brasil, Pátria Educadora", não é um especialista que assume, mas um político (Cid Gomes) que está recebendo uma recompensa por não apoiar um rival da presidente.
Na Agricultura, Kátia Abreu, ferrenha opositora do governo Lula, é a nova ministra, ela que pertencia ao DEM, sigla que, segundo Lula, deveria ser exterminada.
A pasta dos Esportes foi entregue à Igreja Universal, a um ano e meio das Olimpíadas, um ministro (George Hilton) que admite saber pouco de esporte, mas conhece gente, eufemismo para disfarçar a inexperiência.
Na pasta das Cidades, Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo que terminou com péssima avaliação e em cujo governo progrediu a chamada máfia do ISS.
Nos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, apadrinhado de Valdemar Costa Neto, aquele condenado no caso do mensalão que está cumprindo pena.
Pior foi Dilma dizer que consultaria a Procuradoria-Geral da República para saber se um potencial ministeriável estaria nas investigações da Operação Lava Jato. Óbvio, recebeu um "não", já que o MP não é órgão consultor do Executivo.
Os novos ministros podem até surpreender em suas tarefas, mas é sintomático o fato de o ministério ter sido montado na base da troca pura de apoios no Congresso, e não na capacitação comprovada nas áreas.
E isso virou rotina no País do "presidencialismo de coalizão", no qual o Executivo fica dependente de um Legislativo composto, também, por siglas que só existem para negociação de cargos e apoios.
Por mais que Dilma quisesse um ministério técnico, ela não conseguiu escapar do fisiologismo que domina as relações políticas no País.
Pior que a montagem do ministério é entender como normal essa política de compensação partidária em detrimento da qualificação técnica. Os comandantes do Executivo de todo o País deveriam se atentar, também, à outra frase de Kautilya: "Através dos olhos dos ministros, as fraquezas de outros são vistas".
Mais atual do que nunca.
* Artigo publicado originalmente pelo editor na edição de 05-01-15 da Gazeta de Limeira
** Crédito da imagem: Agência Brasil
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Questão de escolha
Passada a eleição, é hora de reflexões sobre recados dados pelas urnas.
E lá vem ela de novo: a reforma política foi tema central do primeiro pronunciamento da presidente reeleita Dilma.
Sua ideia de plebiscito, sepultada em 2013 após as manifestações de rua, já sofre resistências por parte de quem tinha obrigação de propor novos mecanismos, o Congresso.
Porém, quero me ater ao instituto da reeleição, em vigor desde 1998, tópico que sempre volta ao debate.
Admito que já fui mais simpático à ideia de acabar com a reeleição.
Sou um entusiasta da alternância de poder e vejo desequilíbrio quando um dos concorrentes permanece no Executivo durante a campanha.
Já citei neste espaço que seria interessante uma regra que obrigasse o postulante à reeleição deixar o poder por um período, de forma a amenizar a influência da máquina pública na eleição e se dedicar exclusivamente à campanha.
O Rio Grande do Sul mandou nesta eleição outra contribuição para o debate. Mais uma vez, o candidato que tentava a reeleição ao governo perdeu, mantendo uma tradição que dura mais de 30 anos: o Estado não reelege governador, nem partido político.
Perdura naquela região uma desconfiança permanente na continuidade política. A oposição, entre os gaúchos, é uma posição fortalecida independentemente de quem se elege.
Quando o governo não está satisfatório, o eleitor não perde tempo e muda, mesmo tendo a possibilidade de mantê-lo.
Não vou discutir aqui se isto é bom ou ruim. Há quem diga que a falta de continuidade é a responsável pelo grande endividamento do Estado. Tudo é uma questão de escolha, e os gaúchos não têm medo de arriscar pela mudança.
Acabar com a reeleição, alongando o mandato do Executivo, como alguns propõem, pode não ser a solução mais adequada, e os gaúchos estão aí de exemplo.
Está bom, continua; está ruim, tira.
O brasileiro pode fazer isso a cada quatro anos, é um tempo considerável.
A reeleição não é o problema; o grau de exigência, sim.
Dilma foi reeleita com uma margem apertada, a oposição nunca esteve tão próxima de se tornar a maioria. Tudo indica que o nível de exigência foi, por enquanto, o maior legado dos protestos de 2013.
Na eleição presidencial, o país mostrou-se mais insatisfeito, mas não a ponto de trocar o governante.
Tudo é uma questão de escolha, e reside aí o bem maior da democracia: ter a oportunidade de optar por continuar ou mudar.
Há, também, a possibilidade de mudar continuando. Se não mudar, você pode fazer como os gaúchos. Não reeleja e tire o governante da mesma forma como o colocou no cargo. Pelo voto.
* Artigo publicado originalmente pelo editor na edição de 03-11-14 da Gazeta de Limeira
** Crédito da imagem: universoasfixia.blogspot.com
E lá vem ela de novo: a reforma política foi tema central do primeiro pronunciamento da presidente reeleita Dilma.
Sua ideia de plebiscito, sepultada em 2013 após as manifestações de rua, já sofre resistências por parte de quem tinha obrigação de propor novos mecanismos, o Congresso.
Porém, quero me ater ao instituto da reeleição, em vigor desde 1998, tópico que sempre volta ao debate.
Admito que já fui mais simpático à ideia de acabar com a reeleição.
Sou um entusiasta da alternância de poder e vejo desequilíbrio quando um dos concorrentes permanece no Executivo durante a campanha.
Já citei neste espaço que seria interessante uma regra que obrigasse o postulante à reeleição deixar o poder por um período, de forma a amenizar a influência da máquina pública na eleição e se dedicar exclusivamente à campanha.
O Rio Grande do Sul mandou nesta eleição outra contribuição para o debate. Mais uma vez, o candidato que tentava a reeleição ao governo perdeu, mantendo uma tradição que dura mais de 30 anos: o Estado não reelege governador, nem partido político.
Perdura naquela região uma desconfiança permanente na continuidade política. A oposição, entre os gaúchos, é uma posição fortalecida independentemente de quem se elege.
Quando o governo não está satisfatório, o eleitor não perde tempo e muda, mesmo tendo a possibilidade de mantê-lo.
Não vou discutir aqui se isto é bom ou ruim. Há quem diga que a falta de continuidade é a responsável pelo grande endividamento do Estado. Tudo é uma questão de escolha, e os gaúchos não têm medo de arriscar pela mudança.
Acabar com a reeleição, alongando o mandato do Executivo, como alguns propõem, pode não ser a solução mais adequada, e os gaúchos estão aí de exemplo.
Está bom, continua; está ruim, tira.
O brasileiro pode fazer isso a cada quatro anos, é um tempo considerável.
A reeleição não é o problema; o grau de exigência, sim.
Dilma foi reeleita com uma margem apertada, a oposição nunca esteve tão próxima de se tornar a maioria. Tudo indica que o nível de exigência foi, por enquanto, o maior legado dos protestos de 2013.
Na eleição presidencial, o país mostrou-se mais insatisfeito, mas não a ponto de trocar o governante.
Tudo é uma questão de escolha, e reside aí o bem maior da democracia: ter a oportunidade de optar por continuar ou mudar.
Há, também, a possibilidade de mudar continuando. Se não mudar, você pode fazer como os gaúchos. Não reeleja e tire o governante da mesma forma como o colocou no cargo. Pelo voto.
* Artigo publicado originalmente pelo editor na edição de 03-11-14 da Gazeta de Limeira
** Crédito da imagem: universoasfixia.blogspot.com
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terça-feira, 28 de outubro de 2014
Os recordes (negativos) de Dilma em Limeira
Reeleita presidente neste domingo, Dilma Rousseff (PT) estabeleceu também recordes em Limeira nas disputas de segundo turno presidencial.Só que negativos.
Os 43.023 votos da petista representaram a pior votação de um candidato a presidente nesta fase, tirando o posto de José Serra, que angariou só 50.587 votos em 2002.
Com 27,2% dos votos válidos, contra 72,7% de Aécio Neves, Dilma levou a maior diferença já imposta por um candidato sobre o outro neste tipo de disputa.
Como consequência, Dilma obteve o pior desempenho de um candidato presidencial do PT no segundo turno em Limeira.
O recorde anterior pertencia a ela mesmo: em 2010, Dilma recebeu 62.736 votos, equivalente 42,5% dos votos válidos.
Em relação ao segundo turno de 2010, Dilma perdeu 19.713 votos.
*Crédito da imagem: Agência PT
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Os recordes (positivos) de Aécio em Limeira
Aécio Neves (PSDB) não se elegeu, mas, em Limeira, estabeleceu números recordes na cidade em disputas de segundo turno presidencial.Ele foi o primeiro candidato a presidente a ultrapassar a marca de 100 mil votos em Limeira.
Com 114.859 eleitores no último domingo, Aécio obteve a maior quantidade de votos dos quatro segundos turnos para presidentes já feitos em Limeira desde 2002.
O recorde anterior pertencia a Lula, em 2002, com 84.845 votos, quando o ex-metalúrgico levou o PT pela primeira vez à Presidência da República.
Foram 30,2 mil votos a mais para Aécio neste ano em relação ao que foi dado à José Serra (PSDB) há quatro anos.
Isto o colocou como o tucano presidenciável mais bem votado na cidade, inclusive nos votos válidos - Serra era o recordista anterior, 57,4% dos votos em 2010.
Com 72,7% dos votos válidos contra 27,2% de Dilma Rousseff (PT), Aécio impôs também a maior vantagem de um candidato já obtida em Limeira sobre o oponente em segundo turno.
O melhor desempenho anterior havia sido de Lula, em 2002, quando o petista obteve 62,6% contra 37,4% do rival Serra.
* Crédito da imagem: Coligação Muda Brasil
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014
O que sobrou
A eleição presidencial mais longa dos últimos 25 anos terminou com um corolário de fatos que marcarão o país para sempre. Jamais houve uma nação tão dividida politicamente, embora, no fim, a eleição tenha ficado polarizado entre os dois grupos que disputaram o poder durante este tempo.
Dilma Rousseff foi reeleita ontem e tem a missão de conduzir também, além da maioria, o maior coro de descontentes já visto após a redemocratização.
O longo debate político produziu, nos últimos meses, um abismo entre petistas e tucanos que beirou absurdos a ponto de romper amizades e ultrapassar os níveis de civilidade que a democracia exige.
Perguntar quem provocou isso é igual a querer saber quem veio primeiro, se o ovo ou a galinha.
O PT e sua campanha de desconstrução, eficiente em trucidar Marina Silva, também alcançou Aécio na reta final.
O PSDB, que tem seus telhados de vidro, revidou e o que vimos neste segundo turno não foi exatamente o aprofundamento das diferenças entre as propostas dos dois candidatos, mas o aprimoramento da incitação ao ódio de ambas as partes, da eficiente máquina destrutiva do PT à dobradinha do PSDB com denúncias, ainda sem provas evidentes, levadas e amplificadas por veículos de comunicação - uns de forma mais clara, outros mais disfarçados - cansados dos governos petistas.
Algo que esta eleição nos mostrou: alongar o debate nem sempre significa melhorá-lo.
Tão absurda quanto à tática da destruição foi também a interferência excessiva do Judiciário na reta final da eleição proibindo propagandas de Dilma e Aécio que levavam temas espinhosos à TV.
O ideal é, sim, que a propaganda política seja propositiva, mas quem deve exigir isso e julgar é o eleitor (principalmente na hora do voto), e não um juiz.
O Judiciário deveria agir punindo eventuais abusos, mas nunca impedindo que temas, espinhosos ou não, sejam levados ao público.
Além de regras que inibam a baixaria na campanha eleitoral, é preciso avançarmos também, para as próximas disputas, em mecanismos que dificultem o uso da máquina pública na eleição.
Nos últimos meses, o governo federal segurou a divulgação de indicadores, possivelmente negativos, para evitar influência na eleição. Quem vigia e pune isto?
Neste último mês, Dilma passou quase o tempo todo fora do Palácio do Planalto. Não seria mais respeitoso, para a condução do país, que o candidato a reeleição que queira mais quatro anos de poder deixe-o temporariamente durante a campanha?
O maior legado do processo eleitoral de 2014 foi mostrar ao país a imperiosa necessidade de aprimoramentos do próprio processo eleitoral.
*Artigo publicado originalmente pelo editor na edição de 27-10-14 da Gazeta de Limeira
** Crédito da imagem: www.regispel.com
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segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Carência de exemplos
Ler as redações do Prêmio Gazeta de Literatura é um dos melhores termômetros para saber como pensam os jovens a respeito de assuntos atuais, relevantes e que exigem permanente reflexão. O tema deste ano era, por si só, polêmico e impossível de passar despercebido, já que a Copa do Mundo que o país sediou envolveu, em maior ou menor grau, a maioria dos brasileiros.
Entre tantas observações sobre os legados do evento, chamou-me a atenção a expressiva menção a um episódio que não envolveu nenhuma seleção, estádio ou obra, mas uma torcida.
Após as partidas da seleção do Japão, seus torcedores só saíam do estádio após limparem toda a sujeira que produziram durante a festa.
Flagrado pelas câmaras, o gesto foi amplamente televisionado.
Não deixa de ser curioso: um comportamento que, no Japão, é uma rotina, fruto de educação e consciência sobre a responsabilidade da coletividade, no nosso país virou algo fora do comum e impressionou a todos, inclusive a juventude limeirense, que nas redações muitas vezes mencionou mais este gesto do que propriamente o legado de um estádio ou uma obra.
Este fato demonstra que, se devidamente amplificado (e o episódio da torcida japonesa invadiu os veículos de comunicação e as redes sociais), um bom exemplo de conduta pode, sim, marcar uma criança e adolescente para sempre.
Se não marcasse, passaria batido num exercício em que foram obrigados a refletirem sobre o legado da Copa. Mas não passou, sinal de que marcou. E passo a pensar em duas situações recentes e quais exemplos estão sendo repassados aos jovens.
No dia 5, dia da eleição, o brasileiro que tanto ficou impressionado com a torcida japonesa limpando seu próprio lixo, ao sair para votar, deparou-se com a injustificada sujeira deixada por aqueles que pleiteavam um voto para serem representantes da população nos poderes Executivo e Legislativo.
Dias depois, boa parte da sujeira ainda estava nas ruas. Sinal de que partidos e candidatos não aprenderam nada com os japoneses. E os jovens que viram o episódio da Copa voltaram a ter impressão negativa deixada justamente por quem deveria prezar pelo bom exemplo.
Para finalizar, me pergunto o que ficará dos agressivos embates que Dilma e Aécio travam neste segundo turno da eleição presidencial.
Os dois deixaram as propostas de lado e partiram para condutas de ataques mútuos nos últimos debates, trocando perguntas capciosas e respostas virulentas.
É válido passar aos jovens e a todos os brasileiros a impressão de que vale tudo para chegar à Presidência?
Se bastou apenas um evento para os japoneses demonstrarem como é fácil dar um exemplo, basta uma eleição para constatarmos como estamos carentes de exemplos, desde a distribuição de "santinho" ao "debate" proporcionado entre os aspirantes ao mais alto cargo da República.
*Artigo publicado originalmente pelo editor na edição de 20-10-14 da Gazeta de Limeira
** Crédito da imagem: Chandy Teixeira
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Ronei provoca ira de tucanos ao postar marchinha do Pó Royal
Ronei Martins (PT), presidente da Câmara, está provocando revolta de tucanos e simpatizantes do candidato Aécio Neves na internet.
O vereador, que defende naturalmente a reeleição da presidente Dilma, postou um vídeo do YouTube que, segundo ele, é uma marchinha de carnaval campeã de um concurso em Minas Gerais.
O vídeo é intitulado "O Baile do Pó Royal".
O refrão da marchinha diz o seguinte:
"Esse pó é de quem estou pensando? Ah, é sim! Ah, é sim. Você sabe, eu também sei de cor. Ah, é sim! Ah, é sim".
Irritados, usuários da rede estão comparando a atitude de Ronei com a de Tigrão, que foi investigado pela Corregedoria da Câmara e teve pedida cassação de mandato a partir de uma postagem em rede social que ironizava a morte de Eduardo Campos.
O que vocês acham? A comparação é possível ou tudo faz parte da campanha eleitoral, que, aliás, entra na reta final nesta semana pegando fogo?
Assista o vídeo aqui.
O vereador, que defende naturalmente a reeleição da presidente Dilma, postou um vídeo do YouTube que, segundo ele, é uma marchinha de carnaval campeã de um concurso em Minas Gerais.
O vídeo é intitulado "O Baile do Pó Royal".
O refrão da marchinha diz o seguinte:
"Esse pó é de quem estou pensando? Ah, é sim! Ah, é sim. Você sabe, eu também sei de cor. Ah, é sim! Ah, é sim".
Irritados, usuários da rede estão comparando a atitude de Ronei com a de Tigrão, que foi investigado pela Corregedoria da Câmara e teve pedida cassação de mandato a partir de uma postagem em rede social que ironizava a morte de Eduardo Campos.
O que vocês acham? A comparação é possível ou tudo faz parte da campanha eleitoral, que, aliás, entra na reta final nesta semana pegando fogo?
Assista o vídeo aqui.
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Presidente tem queda de 40% de votos em 4 anos na cidade
Candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff (PT) reduziu drasticamente seu desempenho em Limeira.
Em 2010, ela levou 51.008 votos no primeiro turno (33,9%), exatos 6.465 votos atrás de seu então principal oponente, José Serra (PSDB), e 11.081 votos à frente de Marina Silva, então no PV. O segundo lugar, tradicional do PT na cidade, foi mantido.
No último domingo, os 30.100 votos recebidos pela petista corresponderam apenas a 19,9% dos votos válidos em Limeira.
Os 20.908 votos a menos representaram uma queda de 40,9% na quantidade de votos em 4 anos.
Seguramente, foi o pior desempenho de um candidato petista à presidência em Limeira pelo menos nos últimos 12 anos - tenho somente os dados disponíveis de 2002 para cá.
E olha que a propaganda de Dilma esteve visível nas ruas.
Também chegaram em muitos pontos da cidade os panfletos personalizados que o PT montou para sua candidata, reforçando o que o governo federal trouxe à cidade, como os profissionais do programa Mais Médicos, moradias do Minha Casa, Minha Vida, além de parcerias para construção de creches.
Afora a militância petista local, também parcialmente abrigada na Prefeitura desde 2013 - o vice-prefeito, Antônio Carlos Lima é do PT.
Dilma amargou a terceira colocação em Limeira, atrás de Marina Silva e Aécio.
*Ampliação de nota originalmente publicada pelo autor na coluna Prisma, na Gazeta de Limeira, edição de 08/10/14
Em 2010, ela levou 51.008 votos no primeiro turno (33,9%), exatos 6.465 votos atrás de seu então principal oponente, José Serra (PSDB), e 11.081 votos à frente de Marina Silva, então no PV. O segundo lugar, tradicional do PT na cidade, foi mantido.
No último domingo, os 30.100 votos recebidos pela petista corresponderam apenas a 19,9% dos votos válidos em Limeira.
Os 20.908 votos a menos representaram uma queda de 40,9% na quantidade de votos em 4 anos.
Seguramente, foi o pior desempenho de um candidato petista à presidência em Limeira pelo menos nos últimos 12 anos - tenho somente os dados disponíveis de 2002 para cá.
E olha que a propaganda de Dilma esteve visível nas ruas.
Também chegaram em muitos pontos da cidade os panfletos personalizados que o PT montou para sua candidata, reforçando o que o governo federal trouxe à cidade, como os profissionais do programa Mais Médicos, moradias do Minha Casa, Minha Vida, além de parcerias para construção de creches.
Afora a militância petista local, também parcialmente abrigada na Prefeitura desde 2013 - o vice-prefeito, Antônio Carlos Lima é do PT.
Dilma amargou a terceira colocação em Limeira, atrás de Marina Silva e Aécio.
*Ampliação de nota originalmente publicada pelo autor na coluna Prisma, na Gazeta de Limeira, edição de 08/10/14
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PSB, de Hadich, apoiará tucano contra Dilma, de Lima
Não importa quem ganhe em 26 de outubro, Limeira tem condições de manter canal aberto com o governo federal.
Se der Dilma, o PT, do vice Antônio Carlos Lima, está no Edifício Prada.
Se der Aécio, o PSB, do prefeito Paulo Hadich e que anunciou agora há pouco apoio ao tucano, está no Edifício Prada.
O interesse é observar como os socialistas de Limeira vão explicar o apoio da sigla ao que costumam chamar de direito e atraso, coisas deste tipo.
Se der Dilma, o PT, do vice Antônio Carlos Lima, está no Edifício Prada.
Se der Aécio, o PSB, do prefeito Paulo Hadich e que anunciou agora há pouco apoio ao tucano, está no Edifício Prada.
O interesse é observar como os socialistas de Limeira vão explicar o apoio da sigla ao que costumam chamar de direito e atraso, coisas deste tipo.
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Cidade "desmarinou" para, de novo, "tucanar"
No final de agosto, seguindo o cenário nacional, Marina Silva (PSB) era a preferida dos limeirenses, conforme pesquisa da Gazeta/Limite. Tinha 40% das intenções de voto, equivalente a 51% dos votos válidos.
Aécio Neves (PSDB) marcava 15,9% das intenções. Sofria, naquele momento, o impacto da entrada de Marina na corrida presidencial em meio à comoção da perda de Eduardo Campos.
Mas a decantação que Marina sofreu ao longo do mês de setembro, provocada por Dilma (PT) e Aécio - a petista com mais intensidade - parece ter surtido efeito também em Limeira.
A onda aecista fez Limeira "desmarinar" e o tucano saltar do terceiro lugar para o primeiro lugar.
A cidade deu para Aécio 67,9 mil votos, cerca de 10 mil a mais do que José Serra teve há quatro anos no primeiro turno em Limeira.
Ainda é menos do que Geraldo Alckmin recebeu no primeiro turno em 2006 (74.459), mas é importante registrar que, naquela época, não havia terceira via competitiva, ao contrário desta eleição - Marina levou 39.927 votos no domingo e Dilma será tema de uma postagem à parte.
Mas, para quem estava quase morto nas pesquisas, Aécio não tem do que reclamar do que Limeira entregou-lhe.
*Ampliação de nota originalmente publicada pelo autor na coluna Prisma, na Gazeta de Limeira, edição de 08/10/14
Aécio Neves (PSDB) marcava 15,9% das intenções. Sofria, naquele momento, o impacto da entrada de Marina na corrida presidencial em meio à comoção da perda de Eduardo Campos.
Mas a decantação que Marina sofreu ao longo do mês de setembro, provocada por Dilma (PT) e Aécio - a petista com mais intensidade - parece ter surtido efeito também em Limeira.
A onda aecista fez Limeira "desmarinar" e o tucano saltar do terceiro lugar para o primeiro lugar.
A cidade deu para Aécio 67,9 mil votos, cerca de 10 mil a mais do que José Serra teve há quatro anos no primeiro turno em Limeira.
Ainda é menos do que Geraldo Alckmin recebeu no primeiro turno em 2006 (74.459), mas é importante registrar que, naquela época, não havia terceira via competitiva, ao contrário desta eleição - Marina levou 39.927 votos no domingo e Dilma será tema de uma postagem à parte.
Mas, para quem estava quase morto nas pesquisas, Aécio não tem do que reclamar do que Limeira entregou-lhe.
*Ampliação de nota originalmente publicada pelo autor na coluna Prisma, na Gazeta de Limeira, edição de 08/10/14
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segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Um sonho de verão congelado
A eleição de 2014 tinha tudo para ser imprevisível depois daquela impressionante sombra que projetou-se no Congresso, na imagem que marcou para sempre as manifestações de junho de 2013. E foi mesmo tanto imprevisível que terminou ontem da forma mais previsível possível no Brasil e no maior colégio eleitoral: PT x PSDB no segundo turno e Alckmin reeleito, respectivamente.
O tema que impulsionou o levante popular de 2013, mobilidade urbana, com as discussões sobre as tarifas do transporte coletivo, jamais esteve no centro do debate presidencial, nem no da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
A reforma política, que esteve no centro das manifestações, tampouco foi discutida minuciosamente entre Dilma, Aécio e Marina.
No calor da movimentação das ruas, Dilma apressou-se em propor mecanismos para esta reforma, que foram sepultadas por um Congresso reticente em dar sequência ao assunto.
Também pudera: a imagem da petista foi a mais abalada em junho de 2013.
Mais de um ano depois, ela praticamente recuperou o que havia perdido, a ponto daquilo passar agora quase despercebido.
Postulante há tempos à presidência, Aécio nunca conseguiu encarnar o espírito de mudança que o vozerio das ruas pedia.
A candidata que tinha o maior potencial para isso era Marina, e ela quase conseguiu. Vitaminada após ser catapultada à corrida presidencial depois da morte de Eduardo Campos, ela preservava inicialmente seu capital político, mas foi desidratada ao longo do último mês pela máquina publicitária petista.
Em São Paulo, onde ocorreram algumas das manifestações mais eloquentes em 2013, o espírito de mudança pedido naquele junho passou ainda mais longe da campanha eleitoral.
Mesmo com uma crise hídrica em andamento, Geraldo Alckmin liderou as intenções de voto do começo ao fim, sem precisar dar muita atenção aos votos de renovação.
Skaf e Padilha deram pouco trabalho, sendo o petista um dos maiores fracassos, já que era a aposta de Lula e não repetiu o projeto que deu certo com Fernando Haddad em 2012, frustrando o plano de tomar o colégio eleitoral que tanto almeja.
Pode ser que, no segundo turno presidencial, alguns dos temas em voga na agitação das ruas sejam tratados com mais frequência entre Dilma e Aécio, mas a manutenção da polarização PT x PSDB é um sinal de que os descontentes do ano passado seguem órfãos de uma alternativa política, a ponto de preferir reeditar o confronto de duas siglas que já estiveram no poder do que arriscar uma nova vertente.
Por ora, as manifestações de rua não passaram de um sonho de verão que ficou congelado no inverno daquele junho de 2013.
*Artigo publicado originalmente pelo editor na edição de 06-10-14 da Gazeta de Limeira
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segunda-feira, 29 de setembro de 2014
A desconstrução das ideias
Faltando poucos dias para a eleição e, ao menos até no último sábado, Marina Silva era a única candidata à Presidência que apresentou, em texto, um programa de governo com as ações e compromissos que planeja para o País, caso consiga chegar ao Palácio do Planalto.
O que era para ser uma distinção tornou-se o inferno particular de Marina, por causa das polêmicas criadas pelos adversários, Dilma e Aécio - a primeira, principalmente -, que tiraram o mês de setembro para bater na candidatura marineira. Deu certo: as intenções de voto para a substituta de Eduardo Campos estão em queda e sua ascensão meteórica foi arrefecida.
Ok, não se deve analisar uma candidatura apenas pelo fato de ela ter as propostas no papel ou não. Dilma, por exemplo, vendo o desgaste de Marina, apressou-se em dizer que seus compromissos estão nos debates e na campanha no rádio e TV, e Aécio diz que, até 5 de outubro, o plano será divulgado (adianta fazer isso somente agora?).
Porém, a apresentação de um plano formal representa, para o eleitor, algo com o que se agarrar para fiscalizar e cobrar depois do pleito. Mais: uma pessoa que deseja comandar um Executivo deveria, sim, apresentar formalmente suas ideias em tempo hábil para o crivo do eleitor e da sociedade.
Independentemente do mérito do conteúdo das ideias (considero muitas fracas), Marina assim o fez e paga isso.
Questionada pelo pastor Silas Malafaia, ela promoveu mudanças no plano, prato cheio para os rivais. Outras propostas foram dissecadas e viraram armas nas mãos dos marqueteiros adversários, em especial o de Dilma.
A agenda proposta por Marina virou a agenda de Dilma e Aécio. Aí, é mais fácil, sem dúvida, contestar, rebater, desconstruir uma ideia do que criá-la e defendê-la.
O legado da campanha eleitoral de 2014, por ora, é sinistro para o futuro das campanhas eleitorais.
O jornalista Sérgio Malbergier anteviu isso na semana passada, em artigo para o site da Folha: "O que definirá nosso futuro deve ser mais a ignorância do que a sabedoria do eleitorado. Pelo menos é nela que os marqueteiros apostam. E apostar na ignorância pode ganhar eleição, mas não pode dar certo. (...) Ninguém quer voltar para trás, quando tudo era muito pior. A armadilha é que para não voltar para trás, também não vamos para frente".
O recado do momento é: firmar compromissos no papel é armar os adversários. Poderemos ter, no futuro, candidatos que rejeitam detalhar suas propostas com medo de os rivais desconstruí-las. Isto é ruim para o eleitor, para a sociedade e para a democracia.
*Artigo publicado originalmente pelo editor na edição de 29-09-14 da Gazeta de Limeira
O que era para ser uma distinção tornou-se o inferno particular de Marina, por causa das polêmicas criadas pelos adversários, Dilma e Aécio - a primeira, principalmente -, que tiraram o mês de setembro para bater na candidatura marineira. Deu certo: as intenções de voto para a substituta de Eduardo Campos estão em queda e sua ascensão meteórica foi arrefecida.
Ok, não se deve analisar uma candidatura apenas pelo fato de ela ter as propostas no papel ou não. Dilma, por exemplo, vendo o desgaste de Marina, apressou-se em dizer que seus compromissos estão nos debates e na campanha no rádio e TV, e Aécio diz que, até 5 de outubro, o plano será divulgado (adianta fazer isso somente agora?).
Porém, a apresentação de um plano formal representa, para o eleitor, algo com o que se agarrar para fiscalizar e cobrar depois do pleito. Mais: uma pessoa que deseja comandar um Executivo deveria, sim, apresentar formalmente suas ideias em tempo hábil para o crivo do eleitor e da sociedade.
Independentemente do mérito do conteúdo das ideias (considero muitas fracas), Marina assim o fez e paga isso.
Questionada pelo pastor Silas Malafaia, ela promoveu mudanças no plano, prato cheio para os rivais. Outras propostas foram dissecadas e viraram armas nas mãos dos marqueteiros adversários, em especial o de Dilma.
A agenda proposta por Marina virou a agenda de Dilma e Aécio. Aí, é mais fácil, sem dúvida, contestar, rebater, desconstruir uma ideia do que criá-la e defendê-la.
O legado da campanha eleitoral de 2014, por ora, é sinistro para o futuro das campanhas eleitorais.
O jornalista Sérgio Malbergier anteviu isso na semana passada, em artigo para o site da Folha: "O que definirá nosso futuro deve ser mais a ignorância do que a sabedoria do eleitorado. Pelo menos é nela que os marqueteiros apostam. E apostar na ignorância pode ganhar eleição, mas não pode dar certo. (...) Ninguém quer voltar para trás, quando tudo era muito pior. A armadilha é que para não voltar para trás, também não vamos para frente".
O recado do momento é: firmar compromissos no papel é armar os adversários. Poderemos ter, no futuro, candidatos que rejeitam detalhar suas propostas com medo de os rivais desconstruí-las. Isto é ruim para o eleitor, para a sociedade e para a democracia.
*Artigo publicado originalmente pelo editor na edição de 29-09-14 da Gazeta de Limeira
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
Entrevista de Dilma Rousseff ao Jornal Nacional
Para quem não viu, a entrevista de Dilma Rousseff (PT) ao Jornal Nacional:
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quarta-feira, 2 de junho de 2010
As principais opções de 2010
A Folha de São Paulo trouxe hoje textos bem explicativos da trajetória dos três principais pré-candidatos à Presidência da República.
Dilma Roussef: Ilusões armadas (por Fernando Rodrigues)
José Serra: A segunda tentativa (por Cátia Seabra)
Marina Silva: A filha da floresta (por Ana Flor)
Dilma Roussef: Ilusões armadas (por Fernando Rodrigues)
José Serra: A segunda tentativa (por Cátia Seabra)
Marina Silva: A filha da floresta (por Ana Flor)
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Eliseu se desculpou por referência negativa à Dilma
Não pude acompanhar via rádio a sessão da Câmara da última segunda-feira e a assessoria do Legislativo ainda não disponibilizou no site o vídeo daquela noite, mas relataram-me que o presidente Eliseu Daniel dos Santos fez uma retratação do que disse da pré-candidata a presidente Dilma Rousseff.
Faz bem Eliseu se retratar porque, de fato, falou besteira.
Políticos, em geral, não pedem desculpas pelo que dizem ou fazem, portanto, foi um gesto de grandeza por parte do pedetista pedir desculpas em público por uma fala que não se coaduna com o cargo que ele ocupa. Fica aqui o registro.
Faz bem Eliseu se retratar porque, de fato, falou besteira.
Políticos, em geral, não pedem desculpas pelo que dizem ou fazem, portanto, foi um gesto de grandeza por parte do pedetista pedir desculpas em público por uma fala que não se coaduna com o cargo que ele ocupa. Fica aqui o registro.
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quinta-feira, 1 de abril de 2010
Íntegra do trecho do discurso em que Eliseu faz referência à Dilma como assaltante de banco
Leia abaixo a íntegra do trecho do discurso do presidente da Câmara, Eliseu Daniel dos Santos, em que ele diz que Serra não foi assaltante de banco como a outra candidata, que Delúbio Soares é ladrão, e em que dá conselho para o diretório nacional do PT extinguir o cargo de tesoureiro. Quem quiser assistir o vídeo clique aqui, são os vídeos de números 22 e 23:
"Diante da própria postura dele [Ronei], há uma manifesta intenção de denegrir a imagem do governador do Estado de São Paulo. Eu não defini em quem vou votar, muito provavelmente meu partido deva apoiar a Dilma, mas isso não necessariamente me obriga a votar na Dilma.
Meu partido é meu partido, eu sou eu, o voto é secreto e universal, talvez... eu ainda vou definir, muito provavelmente eu vote no Serra, mas independente do meu voto ou não, além de tudo isso. (interpelado pelo vice-presidente da Mesa, César Cortez, que lhe lembra de Marina Silva). É, mas a Marina não, não, na minha lista ela não entra, vereador,...
É, gostaria de lembrar os vereadores que acompanham eu desde o primeiro mandato, Miguelzinho [Lombardi, do PR] estamos juntos aqui desde 2000, né Miguel? Eu lembro do vereador Mauro Zeuri, teve uma vez que ele apresentou uma moção de protesto ao ex-presidente Fernando Henrique [Cardoso, do PSDB] e, na época, eu fiz um discurso, inflamado, defendendo a instituição Presidente da República.
Na época, eu falei, olha, eu sou contra, porque nós temos que poupar a instituição Presidente da República, e uma moção de protesto é algo muito forte, porque não é uma manifestação isolada de alguém, mas sim o posicionamento de uma instituição, de um poder constituído, a saber, o Poder Legislativo do Município de Limeira.
Nós estamos protestando contra o governador do Estado, que pode vir a ser presidente da República. Lembrando que este governador do Estado, recentemente, veio a Limeira, destinou tantas verbas à Limeira e, eu acho que uma questão isolada dos professores... uma coisa é você apoiar os professores, outra coisa é você protestar contra o governador do Estado por uma greve que, segundo estatísticas da Apeoesp, sindicato, 80% está aderindo e, segundo a Secretaria de Estado da Educação, cerca de 1%. É muito discrepante estes números, eu não consigo enxergar... essa distância.
Que estão em greve, estão, mas 80% estão em greve? É real isso? Nós, digo Poder Legislativo de Limeira, vamos comprar uma briga que não é necessária. Acho que podemos apoiar os professores, reivindicar a luta dos professores sem a necessidade de fazer uma moção de protesto ao governador do Estado de São Paulo.
E voltando a falar da moção do presidente Lula na época [na verdade foi de Zeuri contra FHC], foi rejeitada à época porque os vereadores, presidente Fernando Henrique [ele se corrigiu], porque os vereadores tiveram o mesmo posicionamento, de preservar a instituição Presidente da República e, curiosamente, passou-se os anos, Mauro Zeuri deixou a política, aliás, faz até falta, porque (risos) precisamos de alguém aqui para matar a sessão... o Mauro tinha, ele que me desculpa a ausência, ele embolava a sessão, fazia medo, ééé... o vereador, se não me engano, o vereador Joaquim fez uma moção de protesto contra o presidente Lula, lembra disso vereador Miguel? Eu, por coerência, votei contra também, preservando a instituição Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Gosto do Lula? Jamais. Votei no Lula? Nunca, mas respeito a instituição Presidente da República. Não votaria! Pode fazer uma moção de protesto ao presidente Lula por ele ter dado as costas, os manifestantes políticos de Cuba, lá que o Orlando Zapata morreu de fome... se o vereador fizesse uma moção de protesto contra o presidente Lula por causa disso, eu voto contra! Porque eu preservo a instituição da República. Então, essa coerência eu mantenho e acho que nós aqui, Poder Legislativo, não pode votar uma moção dessa. Porque? Se essa moção de protesto for assinada, o autor é o vereador Ronei, só que quem vai encaminhar ela ao governador do Estado, vai ser a Mesa Diretora, eu e o vereador Farid e, querendo ou não, isso pode prejudicar Limeira. Limeira, por uma briga de uma categoria que eu acho justa, legítima.
Agora, eu sinceramente não estava lá, não vi o que aconteceu, porque, quem viu os noticiários, do dia que a Guarda Municipal tava aqui querendo bater em alguns vereadores e a Polícia entrou em ação, quem estava aqui viu que nós éramos as vítimas e a polícia agiu dentro do rigor da lei. Agora, eu não estava lá, eu não posso dizer que a polícia não agiu com o rigor da lei em relação a esses manifestantes.
Agora, não é novidade pra ninguém que existe infiltrado na Apeoesp, eu acho que na Apeoesp 100% é petista. A começar aqui em Limeira. Vamos pegar todo mundo da Apeoesp, o Toledo tava aqui, não está mais, foi embora, mas a Érika da Apeoesp já foi candidata a vereador, a Silvana já foi candidata a vereadora, todo mundo do PT.
Ou seja, o PT está usando nós, Poder Legislativo, para protestar contra o Serra, governador Serra, por uma questão que é de uma categoria específica, e como fica o Poder Legislativo de Limeira? Nós vamos entrar nessa briga? Uma coisa é você defender os direitos humanos, uma coisa é você defender uma causa, outra coisa é você protestar contra um governador de Estado.
Lógico que compete ao vereador negociar, mas custo a crer que o governador tenha dado ordem de se bater contra manifestante, e também eu não estava lá para saber se manifestante tacou pedra contra a polícia. Então, são estas coisas que eu acho que, esse tipo de coisa, você tomar um partido amplo em relação a isso é complicado e você compromete todo um Poder Legislativo, uma cidade, por uma situação isolada.
Volto a dizer, se fosse feita uma moção de protesto ao presidente Lula pela roubalheira do PT, incluindo aquele tesoureiro do PT, aliás o PT não pode ter mais tesoureiro. O Delúbio [Soares] caiu porque era ladrão, o outro caiu porque era ladrão, e esse que tá lá também é. Acho que, um conselho ao diretório nacional do PT, se reunir e extinguir o cargo de tesoureiro, criar um cargo, sei lá, dar um outro nome, economista do diretório nacional, quem sabe esse economista não vai ter caixa 2 e não roubar mais, porque tá feio Dr. Fernando, tá feio a coisa, viu? É que os petistas não leem a Veja. A Veja traz provas, robustas, eles falam: não, é tudo manifestação política.
Então... insisto com os senhores vereadores, eu não voto a moção, mas se eu votasse, votaria contra e peço encarecidamente aos colegas... vereador Mário, se vossa excelência fizesse moção de apoio a grevistas, eu assino com vossa excelência. Vereador Miguel, se vossa excelência uma moção de apelo ao governador, de novo, para que ele atenda reivindicação dos professores, eu assino junto, mas moção de protesto contra o governador, em ano eleitoral, o governador está em vistas de sair candidato a presidente da República, está liderando as pesquisas de intenção de voto, graças a Deus voltou a subir, então nós não podemos, gente, entrar numa briga que não é nossa, por uma questão que não é nossa.
Limeira já foi prejudicada demais. Quem não se lembra da época que o ex-prefeito achou que seria candidato a vice do governador e o governador que pode ser governador de novo, não gostava de Limeira por causa disso. Quanto que nós perdemos porque o Geraldinho (risos), o Pedrinho [Kühl] usava esse termo, o Geraldinho, o Geraldinho, e por aí vai! Não podemos correr esse risco. Já não temos deputado estadual, não temos deputado federal, intrigante, intriga a gente, vereador César, muita liderança política de Limeira já fechando apoio a candidato de fora, lamentavelmente isso está acontecendo de novo, e nós não podemos entrar numa briga dessa!
Então, novamente eu falo. Se for uma moção de apoio, tudo o que for possível fazer pelos grevistas, nós fazemos, mas votar uma moção de protesto contra o governador, não. Não acho justo, não acho correto, mesmo porque a postura, a biografia do governador José Serra é uma biografia muito limpa. Ele não foi assaltante de banco, como a outra candidata foi. Ele foi exilado político, ele foi contra a ditadura. O histórico de vida do José Serra é uma história de vida invejável. Foi ministro da Saúde, combateu com firmeza o tabagismo, defendeu e combateu a questão dos remédios genéricos, enfrentando grandes multinacionais aí da farmacologia. Então, pelos méritos dele, na educação ou não, o Serra trouxe benefícios para a cidade.
Não vou discutir plano de governo, não sou candidato a governador, não sou candidato a prefeito ainda, quando eu for eu vou discutir essas questões, mas eu não sou ainda. E o povo paulista, o povo bandeirante, está votando e está aprovando o governo dele, tanto que as aprovações dele no Estado de São Paulo são ótimas. Agora, vamos comprar uma briga que não é nossa e protestar contra o governador?
Olha, eu vou dizer pros senhores, se essa moção for aprovada, é que é dever do ofício meu assinar e mandar pro governador, senão dá improbidade administrativa pra mim, mas eu vou ficar numa tremenda saia justa de mandar uma moção de protesto para o governador, porque esta é minha função, o Farid vai assinar junto comigo também. Então, peço aos colegas, vamos votar contra, já que o colega [Ronei] declarou, em alto bom som, que ele tá fazendo política, que ele quer que a Dilma ganhe, que ele quer prejudicar o Serra, vamos votar contra, não vamos ser usados, não, para beneficiar a Dilma, senhores vereadores, independente do voto de cada um.
O Poder Legislativo de Limeira não vai ser usado, não, não vamos deixar isso acontecer, não, conclamo aos senhores para votar contra essa moção se o nobre colega concordar em retirá-la, acho muito mais coerente e ética da parte dele pra que nós todos não venhamos a sofrer nenhuma interpretação equivocada a respeito dessa moção. É só, senhor presidente, muito obrigado pela atenção!"
"Diante da própria postura dele [Ronei], há uma manifesta intenção de denegrir a imagem do governador do Estado de São Paulo. Eu não defini em quem vou votar, muito provavelmente meu partido deva apoiar a Dilma, mas isso não necessariamente me obriga a votar na Dilma.
Meu partido é meu partido, eu sou eu, o voto é secreto e universal, talvez... eu ainda vou definir, muito provavelmente eu vote no Serra, mas independente do meu voto ou não, além de tudo isso. (interpelado pelo vice-presidente da Mesa, César Cortez, que lhe lembra de Marina Silva). É, mas a Marina não, não, na minha lista ela não entra, vereador,...
É, gostaria de lembrar os vereadores que acompanham eu desde o primeiro mandato, Miguelzinho [Lombardi, do PR] estamos juntos aqui desde 2000, né Miguel? Eu lembro do vereador Mauro Zeuri, teve uma vez que ele apresentou uma moção de protesto ao ex-presidente Fernando Henrique [Cardoso, do PSDB] e, na época, eu fiz um discurso, inflamado, defendendo a instituição Presidente da República.
Na época, eu falei, olha, eu sou contra, porque nós temos que poupar a instituição Presidente da República, e uma moção de protesto é algo muito forte, porque não é uma manifestação isolada de alguém, mas sim o posicionamento de uma instituição, de um poder constituído, a saber, o Poder Legislativo do Município de Limeira.
Nós estamos protestando contra o governador do Estado, que pode vir a ser presidente da República. Lembrando que este governador do Estado, recentemente, veio a Limeira, destinou tantas verbas à Limeira e, eu acho que uma questão isolada dos professores... uma coisa é você apoiar os professores, outra coisa é você protestar contra o governador do Estado por uma greve que, segundo estatísticas da Apeoesp, sindicato, 80% está aderindo e, segundo a Secretaria de Estado da Educação, cerca de 1%. É muito discrepante estes números, eu não consigo enxergar... essa distância.
Que estão em greve, estão, mas 80% estão em greve? É real isso? Nós, digo Poder Legislativo de Limeira, vamos comprar uma briga que não é necessária. Acho que podemos apoiar os professores, reivindicar a luta dos professores sem a necessidade de fazer uma moção de protesto ao governador do Estado de São Paulo.
E voltando a falar da moção do presidente Lula na época [na verdade foi de Zeuri contra FHC], foi rejeitada à época porque os vereadores, presidente Fernando Henrique [ele se corrigiu], porque os vereadores tiveram o mesmo posicionamento, de preservar a instituição Presidente da República e, curiosamente, passou-se os anos, Mauro Zeuri deixou a política, aliás, faz até falta, porque (risos) precisamos de alguém aqui para matar a sessão... o Mauro tinha, ele que me desculpa a ausência, ele embolava a sessão, fazia medo, ééé... o vereador, se não me engano, o vereador Joaquim fez uma moção de protesto contra o presidente Lula, lembra disso vereador Miguel? Eu, por coerência, votei contra também, preservando a instituição Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Gosto do Lula? Jamais. Votei no Lula? Nunca, mas respeito a instituição Presidente da República. Não votaria! Pode fazer uma moção de protesto ao presidente Lula por ele ter dado as costas, os manifestantes políticos de Cuba, lá que o Orlando Zapata morreu de fome... se o vereador fizesse uma moção de protesto contra o presidente Lula por causa disso, eu voto contra! Porque eu preservo a instituição da República. Então, essa coerência eu mantenho e acho que nós aqui, Poder Legislativo, não pode votar uma moção dessa. Porque? Se essa moção de protesto for assinada, o autor é o vereador Ronei, só que quem vai encaminhar ela ao governador do Estado, vai ser a Mesa Diretora, eu e o vereador Farid e, querendo ou não, isso pode prejudicar Limeira. Limeira, por uma briga de uma categoria que eu acho justa, legítima.
Agora, eu sinceramente não estava lá, não vi o que aconteceu, porque, quem viu os noticiários, do dia que a Guarda Municipal tava aqui querendo bater em alguns vereadores e a Polícia entrou em ação, quem estava aqui viu que nós éramos as vítimas e a polícia agiu dentro do rigor da lei. Agora, eu não estava lá, eu não posso dizer que a polícia não agiu com o rigor da lei em relação a esses manifestantes.
Agora, não é novidade pra ninguém que existe infiltrado na Apeoesp, eu acho que na Apeoesp 100% é petista. A começar aqui em Limeira. Vamos pegar todo mundo da Apeoesp, o Toledo tava aqui, não está mais, foi embora, mas a Érika da Apeoesp já foi candidata a vereador, a Silvana já foi candidata a vereadora, todo mundo do PT.
Ou seja, o PT está usando nós, Poder Legislativo, para protestar contra o Serra, governador Serra, por uma questão que é de uma categoria específica, e como fica o Poder Legislativo de Limeira? Nós vamos entrar nessa briga? Uma coisa é você defender os direitos humanos, uma coisa é você defender uma causa, outra coisa é você protestar contra um governador de Estado.
Lógico que compete ao vereador negociar, mas custo a crer que o governador tenha dado ordem de se bater contra manifestante, e também eu não estava lá para saber se manifestante tacou pedra contra a polícia. Então, são estas coisas que eu acho que, esse tipo de coisa, você tomar um partido amplo em relação a isso é complicado e você compromete todo um Poder Legislativo, uma cidade, por uma situação isolada.
Volto a dizer, se fosse feita uma moção de protesto ao presidente Lula pela roubalheira do PT, incluindo aquele tesoureiro do PT, aliás o PT não pode ter mais tesoureiro. O Delúbio [Soares] caiu porque era ladrão, o outro caiu porque era ladrão, e esse que tá lá também é. Acho que, um conselho ao diretório nacional do PT, se reunir e extinguir o cargo de tesoureiro, criar um cargo, sei lá, dar um outro nome, economista do diretório nacional, quem sabe esse economista não vai ter caixa 2 e não roubar mais, porque tá feio Dr. Fernando, tá feio a coisa, viu? É que os petistas não leem a Veja. A Veja traz provas, robustas, eles falam: não, é tudo manifestação política.
Então... insisto com os senhores vereadores, eu não voto a moção, mas se eu votasse, votaria contra e peço encarecidamente aos colegas... vereador Mário, se vossa excelência fizesse moção de apoio a grevistas, eu assino com vossa excelência. Vereador Miguel, se vossa excelência uma moção de apelo ao governador, de novo, para que ele atenda reivindicação dos professores, eu assino junto, mas moção de protesto contra o governador, em ano eleitoral, o governador está em vistas de sair candidato a presidente da República, está liderando as pesquisas de intenção de voto, graças a Deus voltou a subir, então nós não podemos, gente, entrar numa briga que não é nossa, por uma questão que não é nossa.
Limeira já foi prejudicada demais. Quem não se lembra da época que o ex-prefeito achou que seria candidato a vice do governador e o governador que pode ser governador de novo, não gostava de Limeira por causa disso. Quanto que nós perdemos porque o Geraldinho (risos), o Pedrinho [Kühl] usava esse termo, o Geraldinho, o Geraldinho, e por aí vai! Não podemos correr esse risco. Já não temos deputado estadual, não temos deputado federal, intrigante, intriga a gente, vereador César, muita liderança política de Limeira já fechando apoio a candidato de fora, lamentavelmente isso está acontecendo de novo, e nós não podemos entrar numa briga dessa!
Então, novamente eu falo. Se for uma moção de apoio, tudo o que for possível fazer pelos grevistas, nós fazemos, mas votar uma moção de protesto contra o governador, não. Não acho justo, não acho correto, mesmo porque a postura, a biografia do governador José Serra é uma biografia muito limpa. Ele não foi assaltante de banco, como a outra candidata foi. Ele foi exilado político, ele foi contra a ditadura. O histórico de vida do José Serra é uma história de vida invejável. Foi ministro da Saúde, combateu com firmeza o tabagismo, defendeu e combateu a questão dos remédios genéricos, enfrentando grandes multinacionais aí da farmacologia. Então, pelos méritos dele, na educação ou não, o Serra trouxe benefícios para a cidade.
Não vou discutir plano de governo, não sou candidato a governador, não sou candidato a prefeito ainda, quando eu for eu vou discutir essas questões, mas eu não sou ainda. E o povo paulista, o povo bandeirante, está votando e está aprovando o governo dele, tanto que as aprovações dele no Estado de São Paulo são ótimas. Agora, vamos comprar uma briga que não é nossa e protestar contra o governador?
Olha, eu vou dizer pros senhores, se essa moção for aprovada, é que é dever do ofício meu assinar e mandar pro governador, senão dá improbidade administrativa pra mim, mas eu vou ficar numa tremenda saia justa de mandar uma moção de protesto para o governador, porque esta é minha função, o Farid vai assinar junto comigo também. Então, peço aos colegas, vamos votar contra, já que o colega [Ronei] declarou, em alto bom som, que ele tá fazendo política, que ele quer que a Dilma ganhe, que ele quer prejudicar o Serra, vamos votar contra, não vamos ser usados, não, para beneficiar a Dilma, senhores vereadores, independente do voto de cada um.
O Poder Legislativo de Limeira não vai ser usado, não, não vamos deixar isso acontecer, não, conclamo aos senhores para votar contra essa moção se o nobre colega concordar em retirá-la, acho muito mais coerente e ética da parte dele pra que nós todos não venhamos a sofrer nenhuma interpretação equivocada a respeito dessa moção. É só, senhor presidente, muito obrigado pela atenção!"
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