Notícias sobre Justiça, leis e a sociedade: fatos e análises.
Mostrando postagens com marcador Luiz Inácio Lula da Silva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luiz Inácio Lula da Silva. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Dobramos a meta de valorizar o nada

O escritor italiano Umberto Eco legou uma frase destinada a provocar reflexões hoje e nos próximos anos. “O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”.

Tudo bem, não é necessário – e seria injusto – demonizar as novas plataformas digitais de comunicação, que trazem mais aspectos positivos que negativos, mas é preciso, com urgência, mais sensatez no imenso mundo virtual.

Na semana passada, um jovem limeirense gravou um áudio simulando um toque de recolher para a última quarta-feira, acompanhado de supostas ameaças a quem estivesse na rua em determinada hora. A informação se espalhou não só em Limeira, mas em toda região de Campinas. Alterou a rotina de comércios, faculdades e outras instituições. Em Limeira, mesmo com autoridades policiais sustentando não haver indício algum de veracidade na tal ameaça, houve um esvaziamento nas ruas – e até uma médica deixou de comparecer ao seu plantão. No dia seguinte, a Polícia Civil limeirense, em trabalho exemplar, localizou e levou à delegacia o irresponsável autor da mensagem.

Na impossibilidade de impor filtros à internet, a tarefa cabe a cada um. Mas é preciso ir além.

É necessário pensarmos quanto damos de atenção e relevância ao nada. No aprendizado jornalístico, o filtro é um procedimento natural de seleção daquilo que tem mais potencial de interesse ao receptor da mensagem (urgência, abrangência, entre outras características), quando finaliza o processo de comunicação.

Sem o intermédio do filtro, o receptor tem de fazer a tarefa. O que se viu em Limeira e região é fruto dessa crença perigosa de acreditar e espalhar antes de ter o trabalho de conferir a natureza e a veracidade da tal informação. De repente, o que era nada – ou uma brincadeira, na versão do irresponsável – se transformou em verdade, com profundas consequências no mundo real.

Outra valorização do nada foi a inacreditável confusão causada por um boneco inflável de Lula, na capital. O brinquedo foi “furado” por uma militante, e o caso foi parar na delegacia, com boletim de ocorrência registrado. Rapidamente, facções políticas trocavam insultos nas ruas e nas redes sociais. A Rede Globo, de forma sensata, mudou o cenário de fundo do programa “Bom Dia, São Paulo”, uma vez que o boneco foi erguido na ponte estaiada e poderia intervir na atenção do telespectador. Imediatamente foi alvo de insultos dos pró-boneco.

Quando uma brincadeira de mau gosto no WhatsApp e um boneco inflável exigem a intervenção do Estado, sinal de que estamos tão confusos na interpretação de urgências quanto Dilma com suas metas.

* Artigo originalmente publicado na Gazeta de Limeira edição de 31-8-15

segunda-feira, 16 de março de 2015

Hora da sinceridade

Pedir desculpas deveria ser um gesto simples e espontâneo, mas é cercado de complicações.

Se na cultura japonesa é mais do que uma questão de educação – é um pilar da cultura local -, na brasileira o gesto esbarra nas consequências do que pode vir a ser um reconhecimento de falha.

Na esfera governamental, pedir desculpas equivale, muitas vezes, a um suicídio político e a certeza de oferecer a um adversário ferramentas que serão utilizadas contra ele próprio em hora conveniente.

A revolta que levou ontem brasileiros às ruas e o sentimento antipetista que aflorou na última eleição e, pelo jeito, só cresce, decorrem em grande parte de erros comportamentais do próprio PT no governo.

Em 2005, em meio ao escândalo do mensalão, Lula foi à TV pedir desculpas ao povo brasileiro, dizendo que era necessário tomar medidas drásticas para evitar que situações como aquela continuassem a se repetir no futuro. Na época, o PT expulsara Delúbio Soares, numa tentativa de mostrar que cortava da própria carne.

O tempo encarregou-se de mostrar que nenhum dos gestos foi verdadeiro. Lula deixou a presidência dizendo que passaria a vida inteira desmascarando o mensalão, já julgado pela Justiça. Delúbio foi reintegrado ao partido. E, a julgar pelo que vemos na Petrobras, situações até piores do que o mensalão continuaram a ocorrer.

A campanha de Dilma no ano passado aumentou a percepção de fingimento.

Marina foi destruída por uma peça publicitária terrorista, feita pelo PT, que a associava aos banqueiros, para mais tarde a presidente reeleita ir a um banco buscar seu ministro da Fazenda.

As primeiras medidas tomadas para mudar o cenário econômico que seu próprio governo criou se encaixam mais no que Dilma dizia que seus adversários fariam do que naquilo que ela dizia que faria.

Some isso à montagem de um ministério com pessoas que, até ontem, demonizavam o PT, o que, naturalmente, criou constrangimento com seu próprio partido.

Adicione, a seguir, o discurso desastrado da presidente no último dia 8, quando pediu paciência aos brasileiros sem oferecer nenhuma palavra ou ação enérgica contra a lama descoberta na Petrobras comandada por seu partido.

Convenhamos: para que o trabalhador tenha paciência recebendo a conta de energia, em média, 24% mais cara e pagando gasolina mais cara, é preciso oferecer algo.

Se Dilma não tem nada a mostrar de ações exemplares contra corruptos e corruptores, ao menos poderia pedir desculpas e reconhecer que seu governo errou na condução da economia nos últimos anos.

Ao não fazer nem um nem outro, ela própria alimenta o discurso – legal dentro da democracia, mas sem razão jurídica, por ora – do impeachment.

Passou da hora de um pedido de desculpas mais sincero.

* Artigo publicado pelo editor originalmente na Gazeta de Limeira edição de 16-3-15

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A absurda política de compensação

A necessidade de pessoas qualificadas para ajudar um governante em sua administração é um debate que se faz há milhares de anos.

Dia desses, enquanto assistia perplexo à "montagem" do ministério da presidente Dilma, conheci algumas ideias do filósofo indiano Kautilya, que viveu entre os anos 350 e 275 antes de Cristo.

Uma de suas máximas é: "A roda não se move sozinha". Ele defendia que o governante, antes de assumir, precisa da ajuda de mestres mais experientes e com maior conhecimento e, ao assumir, deve indicar pessoas capacitadas para serem seus conselheiros. Tão capacitadas que, se preciso fosse, deveriam impedir um governante com más intenções de agir a seu favor.

Kautilya, provavelmente, ficaria ainda mais perplexo do que eu ao analisar os "conselheiros" de Dilma.

Na Educação, para tocar o slogan "Brasil, Pátria Educadora", não é um especialista que assume, mas um político (Cid Gomes) que está recebendo uma recompensa por não apoiar um rival da presidente.

Na Agricultura, Kátia Abreu, ferrenha opositora do governo Lula, é a nova ministra, ela que pertencia ao DEM, sigla que, segundo Lula, deveria ser exterminada.

A pasta dos Esportes foi entregue à Igreja Universal, a um ano e meio das Olimpíadas, um ministro (George Hilton) que admite saber pouco de esporte, mas conhece gente, eufemismo para disfarçar a inexperiência.

Na pasta das Cidades, Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo que terminou com péssima avaliação e em cujo governo progrediu a chamada máfia do ISS.

Nos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, apadrinhado de Valdemar Costa Neto, aquele condenado no caso do mensalão que está cumprindo pena.

Pior foi Dilma dizer que consultaria a Procuradoria-Geral da República para saber se um potencial ministeriável estaria nas investigações da Operação Lava Jato. Óbvio, recebeu um "não", já que o MP não é órgão consultor do Executivo.

Os novos ministros podem até surpreender em suas tarefas, mas é sintomático o fato de o ministério ter sido montado na base da troca pura de apoios no Congresso, e não na capacitação comprovada nas áreas.

E isso virou rotina no País do "presidencialismo de coalizão", no qual o Executivo fica dependente de um Legislativo composto, também, por siglas que só existem para negociação de cargos e apoios.

Por mais que Dilma quisesse um ministério técnico, ela não conseguiu escapar do fisiologismo que domina as relações políticas no País.

Pior que a montagem do ministério é entender como normal essa política de compensação partidária em detrimento da qualificação técnica. Os comandantes do Executivo de todo o País deveriam se atentar, também, à outra frase de Kautilya: "Através dos olhos dos ministros, as fraquezas de outros são vistas".

Mais atual do que nunca.

* Artigo publicado originalmente pelo editor na edição de 05-01-15 da Gazeta de Limeira

** Crédito da imagem: Agência Brasil

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Os recordes (positivos) de Aécio em Limeira

Aécio Neves (PSDB) não se elegeu, mas, em Limeira, estabeleceu números recordes na cidade em disputas de segundo turno presidencial.

Ele foi o primeiro candidato a presidente a ultrapassar a marca de 100 mil votos em Limeira.

Com 114.859 eleitores no último domingo, Aécio obteve a maior quantidade de votos dos quatro segundos turnos para presidentes já feitos em Limeira desde 2002.

O recorde anterior pertencia a Lula, em 2002, com 84.845 votos, quando o ex-metalúrgico levou o PT pela primeira vez à Presidência da República.

Foram 30,2 mil votos a mais para Aécio neste ano em relação ao que foi dado à José Serra (PSDB) há quatro anos.

Isto o colocou como o tucano presidenciável mais bem votado na cidade, inclusive nos votos válidos - Serra era o recordista anterior, 57,4% dos votos em 2010.

Com 72,7% dos votos válidos contra 27,2% de Dilma Rousseff (PT), Aécio impôs também a maior vantagem de um candidato já obtida em Limeira sobre o oponente em segundo turno.

O melhor desempenho anterior havia sido de Lula, em 2002, quando o petista obteve 62,6% contra 37,4% do rival Serra.

* Crédito da imagem: Coligação Muda Brasil

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Regulamentada profissão de tradutor de língua de sinais

O presidente Lula sancionou a lei que regulamenta a profissão de tradutor da língua dos sinais:

LEI No- 12.319, DE 1o- DE SETEMBRO DE 2010
Regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais -LIBRAS.

O P R E S I D E N T E D A R E P Ú B L I C A
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Esta Lei regulamenta o exercício da profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS.

Art. 2o O tradutor e intérprete terá competência para realizar interpretação das 2 (duas) línguas de maneira simultânea ou consecutiva e proficiência em tradução e interpretação da Libras e da Língua Portuguesa.

Art. 3o ( VETADO)

Art. 4o A formação profissional do tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa, em nível médio, deve ser realizada por meio de:

I - cursos de educação profissional reconhecidos pelo Sistema que os credenciou;
II - cursos de extensão universitária; e
III - cursos de formação continuada promovidos por instituições de ensino superior e instituições credenciadas por Secretarias de Educação.

Parágrafo único. A formação de tradutor e intérprete de Libras pode ser realizada por organizações da sociedade civil representativas da comunidade surda, desde que o certificado seja convalidado por uma das instituições referidas no inciso III.

Art. 5o Até o dia 22 de dezembro de 2015, a União, diretamente ou por intermédio de credenciadas, promoverá, anualmente, exame nacional de proficiência em Tradução e Interpretação de Libras - Língua Portuguesa.

Parágrafo único. O exame de proficiência em Tradução e Interpretação de Libras - Língua Portuguesa deve ser realizado por banca examinadora de amplo conhecimento dessa função, constituída por docentes surdos, linguistas e tradutores e intérpretes de Libras de instituições de educação superior.

Art. 6o São atribuições do tradutor e intérprete, no exercício de suas competências:

I - efetuar comunicação entre surdos e ouvintes, surdos e surdos, surdos e surdos-cegos, surdos-cegos e ouvintes, por meio da Libras para a língua oral e vice-versa;

II - interpretar, em Língua Brasileira de Sinais - Língua Portuguesa, as atividades didático-pedagógicas e culturais desenvolvidas nas instituições de ensino nos níveis fundamental, médio e superior, de forma a viabilizar o acesso aos conteúdos curriculares;

III - atuar nos processos seletivos para cursos na instituição de ensino e nos concursos públicos;

IV - atuar no apoio à acessibilidade aos serviços e às atividades-fim das instituições de ensino e repartições públicas; e

V - prestar seus serviços em depoimentos em juízo, em órgãos administrativos ou policiais.

Art. 7o O intérprete deve exercer sua profissão com rigor técnico, zelando pelos valores éticos a ela inerentes, pelo respeito à pessoa humana e à cultura do surdo e, em especial:

I - pela honestidade e discrição, protegendo o direito de sigilo da informação recebida;
II - pela atuação livre de preconceito de origem, raça, credo religioso, idade, sexo ou orientação sexual ou gênero;
III - pela imparcialidade e fidelidade aos conteúdos que lhe couber traduzir;
IV - pelas postura e conduta adequadas aos ambientes que frequentar por causa do exercício profissional;
V - pela solidariedade e consciência de que o direito de expressão é um direito social, independentemente da condição social e econômica daqueles que dele necessitem;
VI - pelo conhecimento das especificidades da comunidade surda.

Art. 8o ( VETADO)
Art. 9o ( VETADO)
Art. 10. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 1º de setembro de 2010; 189o da Independência e
122o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto
Fernando Haddad
Carlos Lupi
Paulo de Tarso Vanucchi

terça-feira, 20 de julho de 2010

Após 5 meses da morte de limeirense, punição a torcedor violento fica mais severa

Quase cinco meses depois da morte do limeirense Alex Furlan de Santana, 29, numa briga de torcidas em Jundiaí, chegou à mesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o projeto que modifica o Estatuto do Torcedor, em vigor desde 2003, e impõe medidas de prevenção e repressão à violência em competições esportivas.

Após acordo de líderes no Senado, o projeto, proposto pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) na Câmara dos Deputados, foi aprovado na noite do dia 7 no plenário pelos senadores.

No dia 14, a Secretaria de Expediente do Senado encaminhou ofício à Casa Civil, submetendo o projeto à sanção presidencial.

Se Lula sancionar o texto sem vetos, as torcidas organizadas que promoverem tumulto, praticarem ou incitarem violência ficam impedidas, assim como seus associados e membros, de comparecer a eventos esportivos pelo prazo até três anos.

Também deverão manter cadastro atualizado dos integrantes, com nome completo, fotografia, filiação, número do registro civil, número do CPF, data de nascimento, estado civil, profissão, endereço completo e escolaridade.

Fazer tumulto, praticar ou incitar violência passa a ser considerado crime, com reclusão de 1 a 2 anos. A mesma pena pode ser aplicada a quem cometer o ato violento durante o trajeto de ida e volta do local do evento.

Para entrar no estádio, o torcedor não poderá portar objetos, bebidas, substâncias proibidas ou que possam gerar atos de violência; deverá consentir com revista pessoal e não portar cartazes, bandeiras ou símbolos com mensagens ofensivas, racistas e xenófobas.

Já dentro do estádio, ficam proibidos cânticos discriminatórios.

Estádios com capacidade superior a 10 mil espectadores, como o Comendador Agostinho Prada (Pradão), ficam obrigados a instalar câmeras de vídeo nas áreas frequentadas pelo público - o Major José Levy Sobrinho (Limeirão) já tem.

Uma lista com os nomes dos torcedores proibidos pela Justiça de ir às praças esportivas devido a envolvimento em brigas, terá de ser afixada nos estádios.

Estopim final

A mudança no Estatuto ganhou força após a morte do limeirense, torcedor do Palmeiras integrante da Mancha Verde, ocorrida em 21 de fevereiro em confronto com membros da Independente, torcida organizada do São Paulo.

Na semana seguinte à tragédia o ministro dos Esportes, Orlando Silva, pediu ao líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), urgência na tramitação do projeto, e foi atendido.

O texto passou em três comissões antes de ir à votação no plenário. Em todas a proposta aprovada na Câmara dos Deputados foi mantida.

"É verdade que o Estatuto de Defesa do Torcedor introduziu princípios inovadores de proteção e defesa dos assistentes de competições esportivas, ao mesmo tempo em que estabeleceu penalidades para o torcedor que promover tumulto, praticar ou incitar a violência. No entanto, passados seis anos de sua edição, percebe-se a urgência em aperfeiçoá-lo, bem como em preencher lacunas normativas no que se refere a infrações penais que não se encontram tipificadas na legislação brasileira", argumentou o senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), relator na Comissão de Educação, Cultura e Esportes (CE)

Inquérito em andamento

O inquérito que investiga a morte de Alex Furlan de Santana continua em andamento na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, cerca de 80 pessoas já foram identificadas como participantes na briga que ocasionou a morte do torcedor.

O embate ocorreu por volta das 22h30 do dia 21 de fevereiro. Horas antes, jogaram pelo Campeonato Paulista São Paulo e Palmeiras, na capital.

Na volta, torcedores dos dois times se encontraram num posto de gasolina às margens da Rodovia dos Bandeirantes, na região de Jundiaí. Durante a briga, 11 pessoas ficaram feridas, além de Alex, que morreu a caminho do hospital.

O limeirense foi atingido por um tiro próximo ao maxilar. No local foram apreendidos dez canos de ferro, nove pedaços de madeira e três bombas caseiras.

Um comerciante de 29 anos, morador em São Carlos, foi preso dois dias depois, quando a polícia localizou uma arma que seria a responsável pelo disparo que matou Alex.

Em março, o comerciante teve a prisão relaxada, embora o laudo feito na arma tivesse constatado disparo recente.

Dias depois do tumulto, o auxiliar geral D.E.F., 21 anos, morador do Parque Nossa Senhora das Dores, prestou esclarecimentos à polícia de Limeira.

D. recebeu primeiros socorros no pátio do posto onde houve a briga e foi submetido a uma cirurgia para retirada do projétil na Santa Casa de Limeira no dia seguinte à confusão. O depoimento dele está anexado ao inquérito. (Colaborou Carlos Gomide)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Íntegra do trecho do discurso em que Eliseu faz referência à Dilma como assaltante de banco

Leia abaixo a íntegra do trecho do discurso do presidente da Câmara, Eliseu Daniel dos Santos, em que ele diz que Serra não foi assaltante de banco como a outra candidata, que Delúbio Soares é ladrão, e em que dá conselho para o diretório nacional do PT extinguir o cargo de tesoureiro. Quem quiser assistir o vídeo clique aqui, são os vídeos de números 22 e 23:

"Diante da própria postura dele [Ronei], há uma manifesta intenção de denegrir a imagem do governador do Estado de São Paulo. Eu não defini em quem vou votar, muito provavelmente meu partido deva apoiar a Dilma, mas isso não necessariamente me obriga a votar na Dilma.

Meu partido é meu partido, eu sou eu, o voto é secreto e universal, talvez... eu ainda vou definir, muito provavelmente eu vote no Serra, mas independente do meu voto ou não, além de tudo isso. (interpelado pelo vice-presidente da Mesa, César Cortez, que lhe lembra de Marina Silva). É, mas a Marina não, não, na minha lista ela não entra, vereador,...

É, gostaria de lembrar os vereadores que acompanham eu desde o primeiro mandato, Miguelzinho [Lombardi, do PR] estamos juntos aqui desde 2000, né Miguel? Eu lembro do vereador Mauro Zeuri, teve uma vez que ele apresentou uma moção de protesto ao ex-presidente Fernando Henrique [Cardoso, do PSDB] e, na época, eu fiz um discurso, inflamado, defendendo a instituição Presidente da República.

Na época, eu falei, olha, eu sou contra, porque nós temos que poupar a instituição Presidente da República, e uma moção de protesto é algo muito forte, porque não é uma manifestação isolada de alguém, mas sim o posicionamento de uma instituição, de um poder constituído, a saber, o Poder Legislativo do Município de Limeira.

Nós estamos protestando contra o governador do Estado, que pode vir a ser presidente da República. Lembrando que este governador do Estado, recentemente, veio a Limeira, destinou tantas verbas à Limeira e, eu acho que uma questão isolada dos professores... uma coisa é você apoiar os professores, outra coisa é você protestar contra o governador do Estado por uma greve que, segundo estatísticas da Apeoesp, sindicato, 80% está aderindo e, segundo a Secretaria de Estado da Educação, cerca de 1%. É muito discrepante estes números, eu não consigo enxergar... essa distância.

Que estão em greve, estão, mas 80% estão em greve? É real isso? Nós, digo Poder Legislativo de Limeira, vamos comprar uma briga que não é necessária. Acho que podemos apoiar os professores, reivindicar a luta dos professores sem a necessidade de fazer uma moção de protesto ao governador do Estado de São Paulo.

E voltando a falar da moção do presidente Lula na época [na verdade foi de Zeuri contra FHC], foi rejeitada à época porque os vereadores, presidente Fernando Henrique [ele se corrigiu], porque os vereadores tiveram o mesmo posicionamento, de preservar a instituição Presidente da República e, curiosamente, passou-se os anos, Mauro Zeuri deixou a política, aliás, faz até falta, porque (risos) precisamos de alguém aqui para matar a sessão... o Mauro tinha, ele que me desculpa a ausência, ele embolava a sessão, fazia medo, ééé... o vereador, se não me engano, o vereador Joaquim fez uma moção de protesto contra o presidente Lula, lembra disso vereador Miguel? Eu, por coerência, votei contra também, preservando a instituição Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Gosto do Lula? Jamais. Votei no Lula? Nunca, mas respeito a instituição Presidente da República. Não votaria! Pode fazer uma moção de protesto ao presidente Lula por ele ter dado as costas, os manifestantes políticos de Cuba, lá que o Orlando Zapata morreu de fome... se o vereador fizesse uma moção de protesto contra o presidente Lula por causa disso, eu voto contra! Porque eu preservo a instituição da República. Então, essa coerência eu mantenho e acho que nós aqui, Poder Legislativo, não pode votar uma moção dessa. Porque? Se essa moção de protesto for assinada, o autor é o vereador Ronei, só que quem vai encaminhar ela ao governador do Estado, vai ser a Mesa Diretora, eu e o vereador Farid e, querendo ou não, isso pode prejudicar Limeira. Limeira, por uma briga de uma categoria que eu acho justa, legítima.

Agora, eu sinceramente não estava lá, não vi o que aconteceu, porque, quem viu os noticiários, do dia que a Guarda Municipal tava aqui querendo bater em alguns vereadores e a Polícia entrou em ação, quem estava aqui viu que nós éramos as vítimas e a polícia agiu dentro do rigor da lei. Agora, eu não estava lá, eu não posso dizer que a polícia não agiu com o rigor da lei em relação a esses manifestantes.

Agora, não é novidade pra ninguém que existe infiltrado na Apeoesp, eu acho que na Apeoesp 100% é petista. A começar aqui em Limeira. Vamos pegar todo mundo da Apeoesp, o Toledo tava aqui, não está mais, foi embora, mas a Érika da Apeoesp já foi candidata a vereador, a Silvana já foi candidata a vereadora, todo mundo do PT.

Ou seja, o PT está usando nós, Poder Legislativo, para protestar contra o Serra, governador Serra, por uma questão que é de uma categoria específica, e como fica o Poder Legislativo de Limeira? Nós vamos entrar nessa briga? Uma coisa é você defender os direitos humanos, uma coisa é você defender uma causa, outra coisa é você protestar contra um governador de Estado.

Lógico que compete ao vereador negociar, mas custo a crer que o governador tenha dado ordem de se bater contra manifestante, e também eu não estava lá para saber se manifestante tacou pedra contra a polícia. Então, são estas coisas que eu acho que, esse tipo de coisa, você tomar um partido amplo em relação a isso é complicado e você compromete todo um Poder Legislativo, uma cidade, por uma situação isolada.

Volto a dizer, se fosse feita uma moção de protesto ao presidente Lula pela roubalheira do PT, incluindo aquele tesoureiro do PT, aliás o PT não pode ter mais tesoureiro. O Delúbio [Soares] caiu porque era ladrão, o outro caiu porque era ladrão, e esse que tá lá também é. Acho que, um conselho ao diretório nacional do PT, se reunir e extinguir o cargo de tesoureiro, criar um cargo, sei lá, dar um outro nome, economista do diretório nacional, quem sabe esse economista não vai ter caixa 2 e não roubar mais, porque tá feio Dr. Fernando, tá feio a coisa, viu? É que os petistas não leem a Veja. A Veja traz provas, robustas, eles falam: não, é tudo manifestação política.

Então... insisto com os senhores vereadores, eu não voto a moção, mas se eu votasse, votaria contra e peço encarecidamente aos colegas... vereador Mário, se vossa excelência fizesse moção de apoio a grevistas, eu assino com vossa excelência. Vereador Miguel, se vossa excelência uma moção de apelo ao governador, de novo, para que ele atenda reivindicação dos professores, eu assino junto, mas moção de protesto contra o governador, em ano eleitoral, o governador está em vistas de sair candidato a presidente da República, está liderando as pesquisas de intenção de voto, graças a Deus voltou a subir, então nós não podemos, gente, entrar numa briga que não é nossa, por uma questão que não é nossa.

Limeira já foi prejudicada demais. Quem não se lembra da época que o ex-prefeito achou que seria candidato a vice do governador e o governador que pode ser governador de novo, não gostava de Limeira por causa disso. Quanto que nós perdemos porque o Geraldinho (risos), o Pedrinho [Kühl] usava esse termo, o Geraldinho, o Geraldinho, e por aí vai! Não podemos correr esse risco. Já não temos deputado estadual, não temos deputado federal, intrigante, intriga a gente, vereador César, muita liderança política de Limeira já fechando apoio a candidato de fora, lamentavelmente isso está acontecendo de novo, e nós não podemos entrar numa briga dessa!

Então, novamente eu falo. Se for uma moção de apoio, tudo o que for possível fazer pelos grevistas, nós fazemos, mas votar uma moção de protesto contra o governador, não. Não acho justo, não acho correto, mesmo porque a postura, a biografia do governador José Serra é uma biografia muito limpa. Ele não foi assaltante de banco, como a outra candidata foi. Ele foi exilado político, ele foi contra a ditadura. O histórico de vida do José Serra é uma história de vida invejável. Foi ministro da Saúde, combateu com firmeza o tabagismo, defendeu e combateu a questão dos remédios genéricos, enfrentando grandes multinacionais aí da farmacologia. Então, pelos méritos dele, na educação ou não, o Serra trouxe benefícios para a cidade.

Não vou discutir plano de governo, não sou candidato a governador, não sou candidato a prefeito ainda, quando eu for eu vou discutir essas questões, mas eu não sou ainda. E o povo paulista, o povo bandeirante, está votando e está aprovando o governo dele, tanto que as aprovações dele no Estado de São Paulo são ótimas. Agora, vamos comprar uma briga que não é nossa e protestar contra o governador?

Olha, eu vou dizer pros senhores, se essa moção for aprovada, é que é dever do ofício meu assinar e mandar pro governador, senão dá improbidade administrativa pra mim, mas eu vou ficar numa tremenda saia justa de mandar uma moção de protesto para o governador, porque esta é minha função, o Farid vai assinar junto comigo também. Então, peço aos colegas, vamos votar contra, já que o colega [Ronei] declarou, em alto bom som, que ele tá fazendo política, que ele quer que a Dilma ganhe, que ele quer prejudicar o Serra, vamos votar contra, não vamos ser usados, não, para beneficiar a Dilma, senhores vereadores, independente do voto de cada um.

O Poder Legislativo de Limeira não vai ser usado, não, não vamos deixar isso acontecer, não, conclamo aos senhores para votar contra essa moção se o nobre colega concordar em retirá-la, acho muito mais coerente e ética da parte dele pra que nós todos não venhamos a sofrer nenhuma interpretação equivocada a respeito dessa moção. É só, senhor presidente, muito obrigado pela atenção!"

quarta-feira, 31 de março de 2010

A lógica das relações políticas, segundo o presidente da Câmara de Limeira

Difícil entender a lógica das relações políticas que Eliseu Daniel dos Santos (*na foto) defende para o Legislativo limeirense.

Na última segunda-feira, o presidente da Câmara foi contrário à aprovação da moção de protesto apresentada pelo vereador Ronei Martins (PT) contra o governador José Serra (PSDB) pela falta de diálogo com os professores grevistas da rede estadual e pelo confronto entre estes e policiais militares na semana passada.

O argumento utilizado pelo pedetista, que conclamou aos colegas a rejeitarem a moção, foi de que o Legislativo limeirense não poderia se indispor com instituição do governo do Estado, uma vez que a moção levaria a assinatura de toda a Mesa Diretora da Câmara. Disse, em resumo, que Limeira já não tem deputado para ajudar junto ao Estado, e que um posicionamento da Câmara com relação à postura de Serra seria prejudicial não só aos vereadores, mas à cidade.

É um argumento que você pode concordar ou não, mas, até então, que fundamentou-se no princípio de que a moção poderia trazer prejuízo à Limeira nas relações políticas com o Estado, o que, de fato, é plausível.

Mas Eliseu não parou por aí. Disse que Serra era um político de carreira limpa, e que não assaltou bancos como a outra candidata. Em seguida, descambou críticas ao PT, partido do atual presidente, dizendo que o cargo de tesoureiro desse partido deveria ser extinto. Ironizou Delúbio Soares.

Comentário do blog: A lógica de que é preciso manter relação de polidez com o governo do Estado para que Limeira não seja prejudicada não vale, concluo a partir das palavras de Eliseu, para o governo federal, que, aliás, assinou convênio em janeiro, durante a visita da "outra candidata", como disse Eliseu, no valor de R$ 42,9 milhões para obras de expansão do sistema de abastecimento de água e tratamento de esgoto de Limeira.

Ao defender a não-partidarização das reivindicações dos professores da rede estadual, o presidente do Legislativo limeirense elogiou um pré-candidato e ironizou a outra. Partidarizou o que pretendia não-partidarizar.

Eliseu tem o direito de ter opinião formada sobre o PT, Lula, Dilma, Serra, Apeoesp, Delúbio Soares e de expressá-la, mas, na opinião deste blog, errou ao usá-la na hora de defender uma posição do Legislativo limeirense.

* Retirada do site www.camaralimeira.sp.gov.br

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O risco do diálogo

Frequentemente em nossa trajetória profissional ou pessoal, é comum depararmos com situações em que, para obtermos uma determinada meta, precisamos deixar de lado impressões negativas que formamos a respeito das pessoas para estabelecer um convívio saudável que permita-nos atingir o que queremos. O diálogo é o caminho mais tradicional para tanto, mas, ainda assim, há um risco a ser encarado.

Desde o início de sua gestão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva jamais escondeu a vontade de levar o País a uma vaga fixa no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), órgão que zela pela segurança mundial. Leia mais no blog da coluna Prisma.