Um acompanhamento do Dia D, realizado (ainda que tardiamente) na última sexta-feira, rende várias percepções sobre o modo como os limeirenses tratam a questão da dengue.
A primeira conclusão, óbvia, mas fortemente evidenciada no Dia D, é que parcela expressiva da população deposita toda responsabilidade do combate somente à Prefeitura.
O mutirão, planejado para ser um marco simbólico e com o objetivo de mobilizar toda a comunidade, concentrou esforços nos bairros onde há maior registro de casos – uma vez que seria impossível passar em todos.
Mesmo assim, o que se ouviu de muita gente foram críticas porque o mutirão não passou em seu bairro.
A amostragem feita pelo Dia D mostra um panorama que não permite aos limeirenses apenas culparem o Executivo pela inação.
Um em cada seis imóveis tinha criadouro do mosquito, confirmando a tese de que o maior perigo está nos quintais das residências.
Evidente que o poder público precisa dar exemplo, cuidar dos próprios municipais e intensificar a limpeza desses espaços. Mas não dá para os limeirenses, de forma geral, se eximir de suas responsabilidades.
Outro dia, um conhecido cobrava atitudes do prefeito contra a dengue. Falei a ele que o melhor seria vistoriar as imediações de seu espaço e eliminar possibilidades de criadouro. Ele me disse que já o fez, mas que outros ao redor não faziam.
Expliquei-lhe que deveria conversar com os vizinhos. Dali, passou a reclamar do mato alto de locais públicos nas redondezas. Esclareci que mato alto não é criadouro do mosquito. Mas as garrafas e objetos jogados são, ele diz. Sim, respondi, mas quem os coloca ali?
É compreensível a revolta das pessoas que contraíram a doença ou que perderam familiares por causa dela. É importante discutir, sim, se as ações de prevenção foram feitas lá atrás ou não, se a Prefeitura deveria intensificar nebulização ou não, aplicar fumacê ou não.
Tudo isso pode contribuir para ações futuras, no intuito de evitar epidemias no próximo ano.
Agora, a comunidade deve se concentrar na luta contra o mosquito.
Xingar esse ou aquele não tem resultado prático.
Revolta contra aquele ou esse governante deve ser demonstrada no campo adequado, no voto. Não estamos em momento de corrida eleitoral, mas no meio de uma luta coletiva de saúde pública.
Se o Dia D foi incapaz de atender às expectativas da população, pelo menos serviu para demonstrar que, enquanto reclamamos, criadouros estão por aí, trazendo risco às pessoas, esperando alguém para eliminá-los.
Quem vai removê-los? Podemos esperar o poder público, mas é mais fácil agirmos no nosso espaço e cobrar, incisivamente, a Prefeitura, em relação aos espaços dela.
Essa ajuda mútua pode salvar vidas.
* Artigo originalmente publicado na Gazeta de Limeira edição de 9-3-15
** Crédito da imagem: Prefeitura de Limeira
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segunda-feira, 9 de março de 2015
domingo, 8 de março de 2015
Governo Hadich e a ponte desabada de Indiana Jones

Há uma cena clássica no filme (igualmente clássico) Indiana Jones e o Templo da Perdição que, alegoricamente, remete à batalha do governo Paulo Hadich contra o mosquito da dengue.
Após cortar uma ponte ao meio, Indiana, interpretado magnificamente pelo ator Harrison Ford, tenta se salvar subindo pelos degraus de madeira.
Quando sobe dois lances, um sujeito despenca e ele volta quatro, para recomeçar a subida.
Enquanto o governo tenta mostrar ação contra o mosquito transmissor da dengue, como no Dia D, as mortes suspeitas pela doença vão acontecendo - uma outra foi registrada neste sábado, uma jovem de apenas 14 anos.
O Dia D é como a subida de dois lances, e as mortes suspeitas são, metaforicamente, os sujeitos que o fazem retroceder.
Em meio a cada queda, cresce a revolta e a indignação das pessoas em geral.
Sim, se vocês assistiram o filme, vão se lembrar que, enquanto Indiana tenta subir a escada desabada, do outro lado, um monte de gente atirava flechas para acertá-lo.
A ficção é a realidade, muitas vezes.
Indiana se salvou, mas perdeu duas das três pedras que ele deveria trazer a local seguro.
Com 3.401 casos confirmados, 1 morte registrada e outras tantas suspeitas, mais 5,6 mil pessoas aguardando resultado de exames e a perspectiva sinistra de que os meses de março e abril são os piores, não há cenário melhor para descrever a situação de Limeira como a ponte desabada de Indiana.
A ponte já caiu.
As flechas estão sendo atiradas.
Como o governo Hadich sairá dela e quantas pedras terá perdido?
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Paulo Hadich
domingo, 1 de março de 2015
Em respeito às vítimas e como resposta ao pânico, Hadich deveria antecipar Dia D contra dengue
Com 2.237 casos confirmados, 4.931 notificações suspeitas de dengue e 1 morte confirmada - levantamento oficial da Prefeitura -, Limeira se assusta cada dia mais com a evolução da dengue.
Embora ainda sem confirmação laboratorial, a morte de uma mulher, cuja suspeita de familiares e conhecidos recai sobre a doença, revoltou muitos limeirenses neste sábado (28.fev.15).
O momento é doloroso para familiares de todas as vítimas que aguardam resultado de exames. É compreensível o sentimento de impotência e indignação.
Por tudo isso, em respeito às vítimas e a população que está visivelmente abalada com os efeitos terríveis da epidemia, o prefeito Paulo Hadich tem condições de rever e antecipar a data prevista para o chamado "Dia D" que a Prefeitura está organizando para a próxima sexta-feira, dia 6.
Discutir se a Prefeitura é negligente ou não é um assunto amplo, que pode levar a crenças subjetivas que, no momento, de forma prática, não vão reduzir em nada o número de casos nem evitar mais mortes.
Se as pessoas estão revoltadas com este ou aquele político, a melhor forma de mostrar essa revolta é não dar lhe crédito algum quando este voltar a pedir voto em pleitos futuros.
Agora, o que pode mudar a realidade imediata da dengue são as ações práticas e a sociedade não pode, apenas, botar a culpa na Prefeitura. Tem, sim, obrigatoriamente, de fazer sua parte e cobrar.
Até o dia 6, os números de casos confirmados devem aumentar ainda mais. E as especulações sobre a veracidade deles também.
De qualquer forma, a grande ofensiva contra a dengue mostra-se urgente.
É evidente que a população não precisa esperar até o dia 6 para combater eventuais criadouros do mosquito.
Mas o Poder Público também não precisa esperar até o dia 6 para coordenar um grande movimento civil contra a doença.
* Crédito da imagem: Adilson Silveira/Prefeitura de Limeira
Embora ainda sem confirmação laboratorial, a morte de uma mulher, cuja suspeita de familiares e conhecidos recai sobre a doença, revoltou muitos limeirenses neste sábado (28.fev.15).
O momento é doloroso para familiares de todas as vítimas que aguardam resultado de exames. É compreensível o sentimento de impotência e indignação.
Por tudo isso, em respeito às vítimas e a população que está visivelmente abalada com os efeitos terríveis da epidemia, o prefeito Paulo Hadich tem condições de rever e antecipar a data prevista para o chamado "Dia D" que a Prefeitura está organizando para a próxima sexta-feira, dia 6.
Discutir se a Prefeitura é negligente ou não é um assunto amplo, que pode levar a crenças subjetivas que, no momento, de forma prática, não vão reduzir em nada o número de casos nem evitar mais mortes.
Se as pessoas estão revoltadas com este ou aquele político, a melhor forma de mostrar essa revolta é não dar lhe crédito algum quando este voltar a pedir voto em pleitos futuros.
Agora, o que pode mudar a realidade imediata da dengue são as ações práticas e a sociedade não pode, apenas, botar a culpa na Prefeitura. Tem, sim, obrigatoriamente, de fazer sua parte e cobrar.
Até o dia 6, os números de casos confirmados devem aumentar ainda mais. E as especulações sobre a veracidade deles também.
De qualquer forma, a grande ofensiva contra a dengue mostra-se urgente.
É evidente que a população não precisa esperar até o dia 6 para combater eventuais criadouros do mosquito.
Mas o Poder Público também não precisa esperar até o dia 6 para coordenar um grande movimento civil contra a doença.
* Crédito da imagem: Adilson Silveira/Prefeitura de Limeira
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