Notícias sobre Justiça, leis e a sociedade: fatos e análises.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Como os senadores analisaram o Horto - Parte Final

* Senador diz que reforma agrária no Horto Florestal de Limeira é "exótica"

Na terceira e última conversa em sessão da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado (na foto, em audiência pública*) sobre o Horto, senadores cogitaram uma audiência com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

O presidente da comissão classificou a cessão de terras de um horto florestal para um assentamento como "exótica". Depois da transcrição, finalizo com o procedimento seguinte dos senadores. Vamos à discussão.


SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Só uma palavrinha, eu mandei o relatório de... Desculpa interromper, só que eu mandei o relatório de Limeira, entreguei à Comissão, já está à disposição, se, depois... Porque eu acho que a gente tem que falar com o Ministro do Planejamento, que é o que deu a decisão inicial; ou eu falo, ou V.Exa. decide se a Comissão deverá falar... Mas depois

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Bom, o assunto trazido à colação pelo ilustre Senador Romeu Tuma diz respeito a um problema ambiental que ocorreu--

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Em Limeira, na cidade de Limeira, em São Paulo.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Em Limeira, no Estado de São Paulo, cuja diligência ele promoveu por designação desta Presidência.

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Em razão de um abaixo assinado que veio de toda a coletividade social lá.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Isso. Ele esteve no local, conversou com autoridades municipais a respeito, a situação realmente exige uma intervenção desta Comissão, e eu gostaria de... Ao dar conhecimento deste relatório...

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): V.Exa. pode... Eu acho que está na Pauta--

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Ele está no Item 8, que é um ofício que trata da questão do Horto Florestal do Município de Limeira, que envolve um litígio possessório entre a Prefeitura e o INCRA, certo? E, talvez, fosse o caso de convidar o Ministro do Planejamento, a quem está afeto--

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Ou faz uma visita a ele, que é uma coisa meio simples para ele resolver--

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): V.Exa. acha que uma audiência com o Ministro pode resolver o problema?

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): --para evitar de convidá-lo e tal, por um assunto muito regionalizado.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Então, a Presidência vai cuidar de marcar uma Audiência desta Comissão e aí todos os integrantes que tiverem interesse de integrar essa Comissão, terão direito de fazê-lo, e o assunto é importante que--

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Eu já falei com ele; ele disse que ia rever, mas é bom a gente explicar direitinho o que está ocorrendo lá, o Ministro do Planejamento, Paulo...

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): A questão é ambiental, passa pelo INCRA, e está na decisão do Ministério do Planejamento.

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): O planejamento provisoriamente.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): É uma operação meio exótica, que esta Comissão vai ter que enfrentar, mas são ossos do ofício.

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): É difícil de entender porque ela era da Rede Ferroviária Federal--

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): E ainda envolve a Rede Ferroviária Federal, então...

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Que vendeu o terreno para a Prefeitura; a prefeitura depositou o dinheiro, como a Rede perdeu a capacidade de gerenciar, passou para o Planejamento e o Planejamento cedeu para os sem terra, provisoriamente, então, está o dinheiro depositado, e a Prefeitura e toda a coletividade do Município não querem perder o Horto Florestal para criança, é uma porção de coisas, e está oferecendo terrenos para que haja a desocupação e ocupação--

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): V.Exa., por acaso, consultou a Comissão de Meio Ambiente, se recebeu o mesmo o ofício ou se adotou algumas providências?

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Não, não.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Eu acho que é também uma questão importante.

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Posso levar.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Porque envolve também uma questão ambiental.

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Tranquilamente.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Eu nunca ouvi falar em assentamento fundiário dentro de um Horto Florestal.

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Dentro do Horto Florestal.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): É a primeira vez, é uma questão inédita, mas, de qualquer forma, é uma atitude exótica e estranha, que veio parar na Comissão de Agricultura, dado que o INCRA tem sua interveniência, e eu acho que nós temos que tomar providência--

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Mas eu achei importante foi a decisão de V.Exa., por ser inusitado, tomar a providência de verificar o que era--

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Claro.

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Eu acho que isso valeu a pena.

SENADOR GILBERTO GOELLNER (DEM-MT): Pela ordem, Sr.Presidente.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Com a palavra, o Senador Gilberto Goellner.

SENADOR GILBERTO GOELLNER (DEM-MT): Mas eu parabenizo, inclusive, o Senador Romeu Tuma, por ser um especialista da área, então, essa Comissão está duplamente privilegiada por ter um especialista, por ser um especialista dessa área, e por pertencer a essa Comissão, então, fica já designado--

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Então, V.Exa. está insinuando que a questão envolve também uma nuance policial?

SENADOR GILBERTO GOELLNER (DEM-MT): Não, não. É que está na mão certa. É isso que eu vejo.

Na reunião seguinte, ocorrida em 26 de maio, os senadores aprovaram o texto do relator Romeu Tuma, que o blog disponibilizou aqui.

Como os senadores analisaram o Horto - Parte 2
Como os senadores analisaram o Horto - Parte 1

* Crédito: José Cruz/Agência Brasil

TCE suspende licitação para locação de equipamentos

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) suspendeu a concorrência pública nº005/09, aberta pela Prefeitura de Limeira para contratação de empresa especializada em locação de equipamentos para uso na implantação dos distritos industriais e serviços urbanos.

A decisão liminar atende voto apresentado pelo conselheiro Renato Martins Costa (na foto*), a partir de representação formulada pela empresa Autoplan Locação de Veículos Ltda.

O prefeito Sílvio Félix foi intimado a, no prazo de 48 horas contado do recebimento do ofício da Presidência do TCE, enviar ao Tribunal cópia integral do edital, acompanhada dos documentos referentes à licitação, e demais esclarecimentos, ou, ainda, que mostre a adoção das providências necessárias ao cumprimento das normas.

Félix e a presidência da Comissão de Licitação estão proibidos de darem sequência à qualquer processo da concorrência até deliberação da Corte, que não divulgou os motivos que levaram ao cancelamento do certame.

* Imagem retirada do site www.tce.sp.gov.br

Tudo é cíclico

A política brasileira é cíclica, como a vida.

Em 2007, Renan Calheiros perdeu sua sustentabilidade política no comando do Senado ao amanhecer diariamente nas manchetes dos jornais sob acusações, uma mais cabeluda que a outra, a respeito dos pagamentos à filha que teve com uma jornalista fora do casamento.

Ameaçou rachar a base aliada, decidiu renunciar, para ser absolvido depois pelos colegas e preservar o mandato. Hoje, continua dando as cartas no Congresso, sendo uma das lideranças mais atuantes.

Alguém apostaria que com o atual presidente do Senado, José Sarney (na foto*), do mesmo polivalente PMDB, será diferente?

*Crédito: José Cruz/Agência Brasil

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Como os senadores analisaram o Horto - Parte 2

* Senadores dão risadas na segunda discussão. Presidente da comissão pergunta sobre as terras do Horto: "Mas já invadiram?"

* Kátia Abreu diz que o lugar mais produtivo do Brasil é um Jardim Zoológico (?); Tuma sugere que tema pode ser exemplar

Na reunião de 24 de março, a conversa na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária sobre o Horto Florestal de Limeira foi de dar sono.

Senadores demonstraram ainda mais desconhecimento do caso. O presidente da Comissão cobrou o relator Romeu Tuma. Risadas foram ouvidas na sessão. Trocaram Incra por Ibama.

A senadora do DEM Kátia Abreu (na foto*) afirmou que um horto florestal "deve ser altamente produtivo do ponto de vista da biodiversidade, nem justificaria a improdutividade. Se fosse animal, também, porque o lugar mais produtivo do Brasil é um Jardim Zoológico".

Se alguém entendeu o que ela disse, me explique, por favor. Vamos à discussão:


SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Antes de passar ao próximo item da pauta, eu gostaria de fazer uma cobrança ao Senador Romeu Tuma.

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Se for de Limeira--

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Limeira.

[risos]

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Eu vou explicar. Eu conversei duas vezes com o Prefeito e... Pois não.

SENADOR JOÃO PEDRO (PT-AM): O Presidente está cobrando uma tarefa que V. Exa. não pode

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Graças a Deus, eu sou cumpridor daquilo que eu assumo a responsabilidade de fazer.

SENADOR JOÃO PEDRO (PT-AM): Veja que a cobrança é pública.

[risos]

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Não, eu acho que o Presidente tem razão. Eu falei com o Prefeito duas vezes essa semana e

SENADOR GILBERTO GOELLNER (DEM-MT): Pela ordem, Sr.Presidente.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Eu pediria ao Senador Gilberto que aguardasse.

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Eu vou terminar rapidamente. Então, eu falei com o Prefeito, há uma angústia profunda dos cidadãos de Limeira com a perda do Jardim Botânico, que o IBAMA (??) tomou conta para reforma agrária, que eu acho um absurdo quando se pede aqui para saber o porquê foi feito isso. Então, eu marquei uma reunião com ele e com a Câmara Municipal, para nós sabermos qual é o caminho que nós poderemos seguir, para ajudá-los a resolver esse problema, que é praticamente uma intervenção em algo da própria população local.

Há uma profunda revolta e angústia. Já conversei com eles, esta semana devo ir à Limeira para poder, pessoalmente, dentro da Câmara, discutir mais diretamente sobre o assunto.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Eu consulto V. Exa. se não seria melhor chamar aqui as autoridades que estão diretamente envolvidas com esse episódio, juntamente com as autoridades
municipais.

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Teria que chamar o Prefeito e o IBAMA (??).

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Trazer aqui numa audiência, porque, realmente, é um assunto muito estranho transformar um Horto Florestal de uma cidade num projeto de reforma agrária.

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): O pior é que já tomaram conta lá.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Já invadiram?

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): É.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Quer dizer, não houve invasão porque foi autorizado.

SENADORA KÁTIA ABREU (DEM-TO): Sr. Presidente, deve ser altamente produtivo, um Horto Florestal deve ser altamente produtivo do ponto de vista da biodiversidade, nem justificaria a improdutividade. Se fosse animal, também, porque o lugar mais produtivo do Brasil é um Jardim Zoológico.

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Então, eu proponho... O Prefeito está à disposição para vir onde a gente quiser. Chamá-lo, chamar o Ministro responsável pela decisão de tomar o Jardim Botânico e discutirmos aqui.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Eu acho que é bom chamar o Ministro do Meio Ambiente, chamar aqui o Ministro do Planejamento.

SENADOR ROMEU TUMA (PTB-SP): Provavelmente, serão decisões que servirão para outros municípios.

SENADOR GILBERTO GOELLNER (DEM-MT): Sr. Presidente, eu vejo que, para o encaminhamento de uma Audiência Pública, o Senador Romeu Tuma deverá fazer

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): A formalização.

*Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Como os senadores analisaram o Horto - Parte 1

* Na primeira reunião de comissão, com poucas informações, senadores estranham reforma agrária num horto florestal

* Presidente de comissão lembra que Senado tem mecanismo para anular ato de ministro

Transcreverei aos leitores do blog, em partes, como os senadores de nosso Congresso analisaram a questão do Horto Florestal de Limeira, disputado entre a União e o Município.

A primeira discussão da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária ocorreu em 10 de março. Revela sensações curiosas demonstradas pelos senadores. O presidente da comissão, Valter Pereira (na foto*), lembrou que o Senado tem meios para anular a portaria que cedeu o Horto para a reforma agrária. Vamos à discussão.


SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Comunico à Comissão o recebimento do Ofício s/nº, subscrito por vários representantes da cidade de Limeira, São Paulo, que explicitam posicionamento totalmente contrário à Portaria 258 do Ministro Paulo Bernardo, publicada em 28 de agosto de 2008, bem como, da Portaria nº 53, da Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, de 24 de setembro de 2008, a qual cede, provisoriamente, a área do Horto Florestal daquela cidade ao INCRA, para fins de reforma agrária.

(...)

Consulto o Plenário, se alguém quer fazer algum comentário sobre essa correspondência recebida da cidade de Limeira do Estado de São Paulo. Realmente, é um assunto relevante e, de certa forma, é surpreendente porque, de repente, o esclarecimento que está sendo prestado através do ofício, não deixa de ser inusitado, porque é difícil entender como fazer reforma agrária no Horto Florestal.

Eu acho que é muito estranho que uma atitude, dessa natureza, tenha sido adotada, porque contraria, muito provavelmente, duas áreas, já que o Horto Florestal, por força da legislação ambiental, deve ter a proteção dessa área e, para fins de reforma agrária, todos nós que atuamos nesta Comissão, sabemos muito bem que a produção agrícola, mesmo da agricultura familiar, exige um mínimo de espaço, a mínima condição para a produção.

E a utilização de uma área urbana, por si só, já é muito estranho quando se cogita de um projeto de reforma agrária. E eu consulto a Comissão, se não seria o caso de convocar para prestar esclarecimentos, neste órgão técnico, as pessoas, as autoridades responsáveis por esta decisão. Então, com a palavra o Plenário.

SENADOR GILBERTO GOELLNER (DEM-MT): Sr. Presidente, me permita. Eu posso me...

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Com a palavra o Senador Gilberto, que é Vice-Presidente desta Comissão.

SENADOR GILBERTO GOELLNER (DEM-MT): Acho que nós devemos avaliar essa comunicação. Foi apenas uma manifestação de representantes da cidade de Limeira, acho que esta Comissão deveria ser inteirar mais do fato.

Saber se o Horto Florestal está sendo explorado como tal e, também, o que é que motivou o Ministro Paulo Bernardo a assinar uma portaria colocando essa área disponível para a reforma agrária e, posteriormente, nós podemos também, eu acho, que não vejo uma necessidade de convocação, mas sim, podemos até, anteriormente, pedir uma explicação ao Ministro sobre essa portaria e, após avaliada essa posição, da situação em si da área, que daí se tome uma providência. Essa é a nossa sugestão.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Eu gostaria aqui de informar o Plenário sobre os signatários desse documento. A Associação Comercial e Industrial de Limeira, ACIL; a Associação de
Reabilitação Infantil Limeirense, ARIL; Associação de Engenheiros e Arquitetos de Limeira, AEL; Associação das Empresas de Construção, ASSEMCO; Associação Beneficente Barão de Limeira; Associação Prudente de Moraes; Centro das Indústrias do Estado de São Paulo; Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, CONDEMA; Conselho Municipal de Assistência Social; CREA, Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia; CRECI, Conselho Regional de Corretores Imobiliários; o DEA, Departamento de Entidades Assistenciais; a FIESP, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, certamente, local; o Instituto de Arquitetos do Brasil, IAB; o Instituto de Desenvolvimento de Limeira; a Ordem dos Advogados do Brasil, secção local; a ONG Preservação; a Secretaria de Planejamento e Urbanismo; o Sindicato da Indústria de Construção e afins de Limeira; o Sindicato do Comércio Varejista de Limeira; Sociedade Ruy Barbosa; Associação de Professores das Empresas de Contabilidade, dos Profissionais das Empresas de Contabilidade e Contabilistas de Limeira; o Centro de Aprendizado Metódico e Prático de Limeira; o Lyons Club de Limeira Norte; Associação Limeirense de Jóias; o Sindicato da Indústria de Joalheria, Bijuteria e Lapidação de Gemas do Estado de São Paulo.

Vejam os senhores, que é uma reação em cadeia de toda a sociedade
daquele Município.

SENADOR JAYME CAMPOS (DEM-MT): Favor ou contra Presidente?

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Como?

SENADOR JAYME CAMPOS (DEM-MT): A favor da ação ou contra?

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Contra. Manifestação contrária. Então, de repente, pode surgir uma dúvida que seria o seguinte: Será que esta casa teria que se intrometer num fato que está ocorrendo num Município do Estado de São Paulo? Será que isso afeta a competência do Senado da República? E eu lhes respondo que sim, por quê?

Porque aqui é a Casa da Federação, e são entes federativos, além dos Estados brasileiros, todos os Municípios. E no momento em que a sociedade de Limeira se mobiliza para reagir contra uma ação que pode trazer problemas à sua paisagem urbanística, o seu meio ambiente ou, às vezes, trazer até perturbação social na área, cumpre, sim, ao Senado Federal e, especialmente, a esta Comissão, e também à Comissão de Meio Ambiente, conhecer o problema.

Nesse sentido, eu acho que seria de bom alvitre, a designação de um relator para se inteirar completamente desse assunto e sugerir as medidas necessárias, ou a convocação das autoridades, aqui mencionadas, ou a solicitação de informações sobre as razões que levaram essas autoridades a tomar tais medidas. Com a palavra o Senador Gilberto Goellner.

SENADOR GILBERTO GOELLNER (DEM-MT): Sr. Presidente, eu sugiro o nome do senador componente desta Comissão, representante do
Estado de São Paulo, Senador Romeu Tuma, a sugestão de se inteirar dessa situação e trazer a esta Comissão mais detalhes para, então, tomar uma tomada de posição. Ele não se encontra presente, mas...

SENADOR JAYME CAMPOS (DEM-MT): Srs. Senadores, V. Exa., no início da sua fala, disse que não estava quase entendendo nada em relação a, naturalmente, esse pleito aqui, sobretudo, até me parece que, pelo documento que V. Exa. leu, é uma doação do Governo Federal, via Ministério do Planejamento, para que este parque seja transformado em área de assentamento para pequenos produtores lá na cidade de Limeira.

Todavia, quando o senhor disse que ficou até perplexo, na medida em que, imagino que todos os municípios brasileiros dos seus estados gostariam de ter o seu parque. Entretanto, não é de se admirar, Sr. Presidente, na medida em que, há poucos dias atrás, V. Exa. e todo o Brasil, acompanharam pela imprensa e mídia nacional, sobretudo eletrônica, que o MST, movimento vermelho, em alguns Estados do nordeste, invadiu várias propriedades rurais ali e algumas até culminando com assassinatos, crimes de bandoleiro e pistoleiro e o Ministro da Justiça, Tarso Genro, vai à televisão e diz que apenas foi um movimento mais arrojado, que isso quase é natural no país.

Isso é uma vergonha! Isso é um estímulo à pistolagem, à bandidagem e, lamentavelmente, partindo da pessoa que tem, acho que, por força constitucional, papel de zelar pela nossa Constituição, pela lei, sobretudo pela segurança, justiça e paz.

Quando V. Exa. lê aqui um documento aqui, imagino que é o sentimento de toda uma sociedade do Município de Limeira. Aqui, parece que todas as entidades de classe aqui, V. Exa. acabou de ler aqui, me parece mais de 50, aqui, todas contra. Então, acho que como V. Exa. disse, esta é a Casa da Federação, nós temos o papel e o dever de defender o interesse de uma sociedade.

Acho que a Comissão, esta Comissão de Agricultura, urgentemente, V. Exa., tem que tomar providência, sobretudo, designando um senador. Sobretudo, como referiu o Senador Gilberto, Senador Romeu Tuma que é homem de bem, homem conhecedor perfeitamente das problemáticas do seu Estado, mas designá-lo para que apure com maior consistência e substância, naturalmente, as informações. Caso contrário, acho que isso aqui é o fim do mundo.

Um Horto Florestal, se não me falha a memória, não sei nem quantos hectares, não sei quantos hectares que é esta área. E o Governo Federal, melhor ainda, se desculpando, com todo respeito, imagino que não passa mais de uma arte de fazer política. Porque política se faz é com altivez, com grandeza, sobretudo, respeitando o direito de toda uma população.

Portanto, faço uma sugestão a V. Exa., de que tomemos as providências, esta Casa, esta Comissão capitaniada por V. Exa., Senador Valter, acho que vamos fazer um trabalho penoso, competente e, acima de tudo, defender os interesses daqueles que, certamente, esperam do Congresso Nacional, realmente, o papel que tem que cumprir, o papel de legislar e bem fiscalizar as leis nesse país, muito obrigado, Sr. Presidente.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Acho que V. Exa. tem razão, por que a reação produzida na sociedade de Limeira é sintomática. E, certamente, está causando uma indignação, porque eu tenho por base o que é que seria, por exemplo, na minha cidade, Campo Grande se, de repente, o Horto Florestal de lá fosse transformado num assentamento. Obviamente, haveria uma irresignação de toda a sociedade, como já aconteceu anteriormente, quando se pretendeu instalar indústrias alcooleiras na região do Pantanal, e a sociedade se mobilizou e impediu que isso acontecesse, por quê?

Porque iria degradar uma área de extraordinária preservação, que é para todos nós, nós de Mato Grosso do Sul e nós do Mato Grosso, Estado que V. Exa., Senador Gilberto Goellner, representa, sabe da importância que tem para os nossos Estados.

SENADOR RAIMUNDO COLOMBO (DEM-SC): Senador, pela ordem. Eu gostaria só de estar informar que eu cheguei um pouquinho atrasado e não consegui... Mas o Senador Gilberto está me informando, a disposição do governo é doar um parque da cidade, o Horto Florestal?

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): É ceder para fins de reforma agrária o Horto Florestal que é, certamente, uma área da União Federal. Então, é uma portaria, Portaria nº 258 do Ministério do Planejamento. Senador Colombo veja que, realmente, é muito estranho.

SENADOR RAIMUNDO COLOMBO (DEM-SC): Será que eles ouviram o Ministério do Meio Ambiente? Isso é um negócio inacreditável. Acho que fazer Audiência Pública, o senhor tem toda a razão, e tem todo o nosso apoio, nós precisamos conhecer melhor, porque é o assunto de um Município, mas é um assunto que interessa, até porque envolve o patrimônio público federal e nós precisamos nos debruçar sobre isso, porque é uma coisa que vai totalmente na contramão do que a gente está vendo hoje, da própria ação do governo. Eu estou surpreso, acho que a gente tinha que estudar bem isso para ver o encaminhamento.

SR. PRESIDENTE SENADOR VALTER PEREIRA (PMDB-MS): Eu acho que a atitude prudente é designar, realmente, o senador de São Paulo, como sugeriu o Senador Gilberto, e vou designar, então, o Senador Romeu Tuma que é membro desta Comissão, para que ele traga as informações mais atualizadas, já que esse ofício deu entrada em nossa Comissão no dia 8 de dezembro de 2008, e pode ser até que, em função dessa reação em cadeia, que ocorrera no Município de Limeira, o Ministro do Planejamento já tenha até revogado.

Então, nós não podemos fazer tempestade em copo d'água, acho que é prudente indicar um relator. E aqui, é bom lembrar que, há um mecanismo regimental que permite, inclusive, ao Senado Federal sustar, através de resolução, o efeito dessa portaria. É preciso, então, que seja designado um relator e nós faremos isso brevemente.

* Crédito: Márcia Kalume/Retirado do site www.senado.gov.br

Um texto imperdível sobre a elefanta limeirense

O Estado de S.Paulo trouxe na edição de domingo um texto brilhantemente escrito por Mônica Manir, no caderno Aliás. Reproduzo um trecho e indico o caminho da leitura:

"Elefante não é bicho que se tenha em silêncio. Você, ele próprio ou a vizinhança, alguém há de trombetar essa rotunda presença.

Nesse sentido, ninguém estranhou que Bambi tivesse sido descoberta por guardas ambientais num sítio em Limeira, a 154 quilômetros da capital paulista. Mais cedo ou mais tarde, aconteceria a delação.

Ocorre que guardas ambientais a flagraram sob uma lona de circo, presa ao solo por uma cinta na pata dianteira, rodeada por cerca elétrica de baixa voltagem e corrente alternada, a balançar a cabeça de um lado para o outro.

No parecer dos biólogos chamados para a ocasião, configurava-se um caso escandaloso de maus-tratos. A voz de soltura foi dada. Que Bambi fosse transferida de lugar"
. Leia mais aqui.

Unifarma fortalece argumentos da terceirização ilegal da saúde

O prefeito Sílvio Félix sempre defendeu a Unifarma.

Sempre disse que em momento algum houve terceirização dos serviços de saúde e que o serviço licitado sempre foi complementar à atuação do Município.

A Unifarma saiu dos postos levando todas as informações dos pacientes.

Seria só um serviço complementar mesmo?

Com a saída repentina, a Unifarma, propositada ou despropositadamente, fortalece os argumentos de quem defende que houve terceirização ilegal da saúde, como o Ministério Público.

A Unifarma está participando da nova licitação aberta pela Prefeitura para os mesmos serviços. Levou todos os dados dos usuários. Se ganhar, vai devolvê-los? E se perder?

terça-feira, 30 de junho de 2009

Prefeitura anuncia sindicância para apurar sumiço de obras no Museu

A assessoria de imprensa da Prefeitura informou agora há pouco que o prefeito Sílvio Félix determinou abertura de sindicância para apurar o eventual desaparecimento de 13 obras de arte do Museu.

Entre as obras que sumiram estão "O Madrugador", de Aliberto Baroni, "Casarios", de Colette Pujol, e "Marinha", de Salvador Satisteban. Matéria do Jornal de Limeira publicada em 23 de junho relaciona outras.

Um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público já tem pedido de explicações à Prefeitura. O Paço informou que registrou um boletim de ocorrência para que o caso seja apurado também pela Polícia Civil.

A sindicância, segundo a Prefeitura, tem como objetivo apurar a eventual participação de servidores, que irão responder às penas administrativas, cíveis e penais cabíveis.

***

Lamentável episódio, se comprovado, de fato.

Tudo bem que as peças não são extremamente valiosas, mas o que parece ter ocorrido trata-se de um furto.

Que precisa ser devidamente esclarecido.

Vereadores das comissões de reuso da água e trabalho informal se reúnem

A Comissão de Assuntos Relevantes formada para estudar a reutilização da água em atividades comerciais e industriais se reuniu na manhã desta terça-feira (30/6) para direcionar os trabalhos(*).

Os vereadores Carlinhos Silva (PDT), Ronei Martins (PT) e Nilce Segalla (PTB) integram a comissão.

"Vamos agendar para a primeira semana de agosto visitas às empresas Burigotto, Zetti Galvânica e Mikron, que já trabalham com a reutilização da água para conhecer os mecanismos dos equipamentos, esclarecer nossas dúvidas sobre este tema, saber sobre os investimentos e economia e posteriormente voltaremos a nos reunir para levar estas informações para outros segmentos de diversas atividades comerciais de Limeira que poderão também implantar o sistema de reutilização de água", informou Silva, presidente da comissão.

Carlinhas estima que serão necessários mais 120 dias de atuação da comissão, em função da extensão do tema.

Trabalho no setor de joias

Os mesmos vereadores integram também a comissão que estuda as condições de trabalho informal no setor de joia folheada e bijuteria.

Ronei, que preside esta comissão, informou que a cidade será dividida em setores e serão feitas reuniões nos bairros com os trabalhadores informais do segmento.

"Vamos conversar com os trabalhadores, com os empresários, com representantes do Sindijoias e Aljoias para tratar do tema. Não queremos acabar com o trabalho informal, queremos é substituí-lo por um trabalho mais digno", explicou Ronei.

Os vereadores querem levar sugestões de trabalho em cooperativa e com economia solidária.

"Queremos apresentar para as empresas e para estes trabalhadores informais a oportunidade de conhecer o trabalho de cooperativa, com ações definidas, garantindo ao trabalhador o direito de se proteger, de sair do atravessador", diz o petista.

A comissão vai abordar dentro dos estudos questões como meio ambiente, o trabalho do menor de idade, o trabalho da mulher, questões de segurança (riscos de acidentes), LER. Os vereadores voltam a se reunir em agosto.

Existe a possibilidade dos integrantes da comissão irem até Franca, onde existiam problemas no trabalho informal da confecção de calçados e hoje mudou.

* Com informações da assessoria de imprensa da Câmara Municipal

Bolsa de estudo - parte 2

A Prefeitura informou que a entrevista com a assistente social feita pelos pretendentes a bolsas de estudos é realizada na sede do Serviço Social Escolar no momento da inscrição.

Dá a entender então que a esposa de Eliseu, beneficiada com bolsa, agora rejeitada, foi entrevistada quando era solteira.

Ela poderia ter informado à Secretaria que mudaria de condição socioeconômica em menos de um mês. Evitaria especulações e desgastes.

Bolsa à esposa de Eliseu põe em xeque critérios da Prefeitura

A concessão de bolsa de estudo à Susiléia Aguiar de Freitas, esposa do presidente da Câmara, Eliseu Daniel dos Santos (na foto*), não se torna menos grave a partir do momento em que o pedetista anuncia que a esposa desistirá do benefício.

Ficará sempre o questionamento se o recuo foi feito somente após Eliseu ser procurado por jornalistas para falar sobre o assunto.

O que está em xeque também, e principalmente, são os critérios adotados pela Secretaria Municipal de Educação, órgão da Prefeitura responsável pela concessão do benefício.

Susiléia correu um risco calculado.

Pode até justificar-se dizendo que, quando pediu a bolsa, ainda não havia se casado com Eliseu e atendia aos critérios.

Ocorre que, como era beneficiada em 2008, ela teve de instruir novamente a Secretaria com documentos socioeconômicos para concorrer em 2009.

Os dados tinham que ser protocolados de 2 a 30 de março. Como sabemos que casamentos são marcados com muita antecedência, Susiléia pediu bolsa sabendo que sua condição socioeconômica mudaria em menos de um mês - ela se casou em 3 de abril.

Ainda assim, os dados informados pelos pretendentes a bolsas são analisados por uma comissão. E isso inclui entrevistas com assistentes sociais.

Vem mais dúvidas por aí: se Susiléia foi entrevistada, teria ela revelado que sua situação socioeconomica mudara? Se sim, porque a Secretaria manteve sua avaliação de que era preciso contemplá-la? Se não, isso representaria uma omissão de dados grave. Quando ocorreu essa entrevista, era notório o fato de que ela havia se casado com Eliseu.

O presidente da Câmara pode ficar chateado, pode ficar irritado com as abordagens dos jornais.

Mas mais chateado, mais irritado deve ter ficado o universitário que esperava um benefício e foi preterido, sabendo que na lista há a esposa do presidente da Câmara, aliado do comandante atual da Prefeitura e que ganha ao menos R$ 5.191,49 como chefe do Legislativo.

*Imagem retirada do site www.camaralimeira.sp.gov.br

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ex-integrantes do MST atuam no Incra, revela Estadão

Reportagem publicada nesta segunda-feira (29/6) pelo jornal O Estado de S.Paulo reforça as ligações mais que estreitas que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) mantém com o Movimento dos Sem Terra (MST).

Os repórteres Roldão Arruda e José Maria Tomazella revelam que três coordenadores dos núcleos de apoio do Incra na região do Pontal do Paranapanema são ex-integrantes do MST e que já exerceram funções na Cocamp, cooperativa do movimento citada em inquéritos policiais e processos por mau uso de dinheiro público. Leia mais aqui.

O superintendente regional do Incra em São Paulo, Raimundo Pires da Silva, o mesmo que assinou a portaria que criou um assentamento em Limeira, nega irregularidades e disse ao Estadão que sua administração é transparente. Leia mais aqui.

Conforme afirmei em artigo escrito na semana passada, fica cada vez mais difícil distinguir o Incra (logo*) do movimento.

Com isso, fica, naturalmente, mais difícil ainda levá-los a sério.

* Imagem retirada do site www.franciscanosmapi.org.br

Onde morrem os astros

Texto do autor publicado na coluna Prisma, edição de hoje (22/06/09) da Gazeta de Limeira:

"Já comecei inúmeras leituras, artigos ou livros, onde, na condição de leitor, fui levado a um breve exercício mental sobre onde estava em determinada data marcante.

22 de novembro de 1963, data dos tiros que mataram John Kennedy? – não era nem nascido.

1.º de maio de 1994, morte de Ayrton Senna – assisti em casa o repórter Roberto Cabrini, com voz embargada, anunciá-la.

25 de junho de 2009, Michael Jackson, estava na redação do jornal.

Haverá sempre alguém no futuro a lhe perguntar onde e como recebeu a morte de uma personalidade.

O astro pop saiu de cena na semana passada num momento que, particularmente, mais me chamou atenção.

Jackson preparava-se para sair de uma extensa reclusão e encarar o que se anunciou como sua última turnê.

Todos os ingressos já estavam vendidos. Seria a última chance de o cantor rever os fãs, numa espécie de reconciliação com tudo aquilo que lhe levou até ali. Não deu tempo.

A repercussão de sua morte em nada faz lembrar que Michael Jackson ficou dez anos afastado dos palcos.

No campo pessoal, passou por situações que deixariam qualquer um relegado ao ostracismo – acusado de pedofilia, sujeitou-se a fazer acordos para não pegar penas pesadas; em outra, foi absolvido, mas o que importava? Os estragos iam lhe desgastando.

As mudanças na expressão facial, em decorrência das sucessivas cirurgias plásticas, foram apenas o marco central da desconstrução a qual o cantor foi se submetendo ao longo dos anos, sob o olhar implacável da mídia e a incredulidade dos fãs.

Perdeu parte da fortuna. Michael não é, ou foi, o único – Mike Tyson se encaminha para ter uma história semelhante.

Ambos são astros, e isso parece justificar, do ponto de vista da mídia, histórias tão absurdamente reais.

Bastou morrer para que imagens gravadas ao longo das últimas décadas fossem desengavetadas; músicas, há tempos ausentes do circuito midiático, voltassem às rádios; seu nome voltar às rodas de conversa – façam um teste, quem da casa de vocês não sabia quem era Michael Jackson, e mesmo assim, há quanto tempo não se falava nele?

Não é preciso. Como Tyson, Madonna, Senna, Pelé, ele era um astro.

Jackson não precisava de uma turnê para reconciliar-se com os fãs.

Ele parecia buscar, apenas, uma reconciliação consigo, após tantos vazios deixados pelos escândalos, como qualquer outra pessoa.

As mais de 60 milhões de cópias vendidas em um único álbum (Thriller), recorde histórico que persiste desde 1982, avalizam sua herança à música pop.

Ao final, morreu de forma abrupta, com uma história digna de filme.

Como um astro.

domingo, 28 de junho de 2009

78% das prefeituras rejeitam presídios planejados por Serra, diz portal Terra

De Hermano Freitas, do Terra, disponibilizado em 5 de maio de 2009:

"Das 23 cidades com terrenos desapropriados para receber novos presídios no Estado de São Paulo, 78% são contrárias à ideia.

É o que aponta levantamento feito pelo Terra junto aos prefeitos dos municípios que tiveram áreas declaradas como de interesse público e receberão novas cadeias. Dezoito rejeitam.

Os motivos apresentados pelos prefeitos vão da inadequação das áreas escolhidas pelo Governo do Estado à alegada ausência de contrapartidas em troca do espaço.

A Secretaria estadual de Administração Penitenciária (SAP) anunciou em fevereiro a construção de 49 novas unidades prisionais no interior, que deverão acolher 39,5 mil presos.

Os prefeitos dessas cidades articulam com deputados de partidos da oposição, em especial o PT, ações coletivas, inclusive judiciais, contra a política de expansão das penitenciárias para o interior. Alguns são da base aliada de José Serra (PSDB).

O prefeito Marcelo Soares da Silva (PV), de Capela do Alto, cidade a 140 km à oeste da capital paulista, diz que "não faz politicagem" quando trata dos interesses de seus eleitores. Ele cita a interdição da cadeia pública feminina de sua cidade como argumento contra a instalação prevista de duas penitenciárias.

"Nossa cadeia com capacidade para 12 presas chegou a abrigar 76. Este presídio, com 2,5 mil detentos, teria quase 30% da população do município. Eu não posso acreditar que o Estado vá nos garantir uma contrapartida condizente nas áreas de saúde, habitação e educação. Este decreto nos foi empurrado goela abaixo", declara.
Leia mais aqui.

Posição em relação às novas penitenciárias:

Aguaí - contra
Bernardino de Campos - contra
Bom Jesus dos Perdões - contra
Capela do Alto - contra
Catanduva - contra
Cerqueira César - a favor
Florinea - contra
Guariba - contra
Icem - contra
Itapetininga - contra
Jardinópolis - contra
Limeira - contra
Mogi das Cruzes - contra
Mogi-Guaçu - contra
Piracicaba - a favor
Pirajuí - a favor
Pontal - contra
Porto Feliz - contra
Santos - a favor
São Vicente - contra
Taiúva - contra
Taquarituba - contra
Votorantim - a favor

PS do blog: O Terra ouviu a opinião dos prefeitos. Em Piracicaba, por exemplo, embora o prefeito Barjas Negri, aliado antigo do governador José Serra, seja favorável, já ocorreram inúmeros protestos e mobilizações de lideranças locais contra a instalação do presídio.

* Imagem retirada do site www.sap.sp.gov.br

Plano prevê ferrovia longe da cidade

De Denis Martins, na Gazeta de Limeira de 28 de junho de 2009:

"Um pedido de estudo enviado pela Prefeitura de Americana há duas semanas para o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT) prevê um novo trajeto para a linha férrea que passa por Limeira, Nova Odessa, Sumaré, Hortolândia e Americana. A sugestão é que o novo traçado acompanhe a Rodovia dos Bandeirantes (SP-348)". Leia mais aqui.